O Começo do Mundo
O começo do mundo toda a gente o conhece. Ou quase. E é para esses que ?quase?, que aqui venho explicar os meandros passados e remotos e insondáveis de uma génese em tudo misteriosa e única. Porque tudo se resume, afinal, a essa pergunta: ?como chegámos até aqui??
Bom, no início era o caos.
Era, de facto.
À superfície havia apenas campos de golfe sem rega automática, pelo que um bom quinhão da escassa população passava grande parte da sua curta esperança média de vida na rega. A outra... Ah, a outra parte da população, essa, esganava-se na caça aos flamingos. Isto porque, como bem se sabe, o pescoço do flamingo (e especialmente o seu bico proeminente e robusto) ainda hoje são a melhor arma de arremesso de bolas de golfe que há.
Depois veio a Sprite.
Com isto, a malta então acalmou os ânimos. Mas esse período pouco durou na Terra, pois logo isso gerou também a divisão das populações naquilo que comummente é conhecido no meio científico como Período Spratista. É que com a Sprite logo surgiu o Pepsi Challenge, e com ele voltou também o caos geral. Deu-se a guerra civil na América, por causa da malta do Norte (adepta da 7-Up e da Coca-Cola) e da malta do sul (mais virada para a Sprite e a Pepsi), e por todo o mundo as mulheres suspiravam. Nas mesas havia apenas vinho, água e sumos de fruta. Os primeiros partidos políticos estavam ainda a ser criados, mais precisamente no Bangladesh, e só no final da guerra os homens deixaram de ter piolhos e carraças.
Mas a guerra acabou, finalmente. E com isso surgiu, de forma lógica, o primeiro Casino. Não em Las Vegas, mas em Santa Comba Dão. Foi então que um empresário português, de Braga, assaltante do Casino, se pirou para Las Vegas e aí firmou pé e o primeiro Casino. Com ele vieram então as grandes revoluções tecnológicas do nosso tempo: o polegar oponente, a testa menos alongada e até a máquina a vapor, devido aos inúmeros pedidos pela malta ricalhaça por um Spa decente.
Enfim.
O mundo tornou-se ainda mais inóspito, e com ele vieram as empresas de seguros. Surgiu a primeira cadeia de lingerie erótica. A população terrestre aumentou num ápice. Os balões substituíram os cavalos, que depois foram substituídos, como se sabe, pelos patins em linha, e hoje o mundo é o que todos sabemos. Povoado por anões, duendes, máquinas de passar a ferro portáteis e todo um conjunto de tecidos e padrões para gravatas.
ao senhor do STAPE...
...ao senhor do STAPE que encontrou um boletim de voto com um barco pirata desenhado, ele é meu. Se mo quiser mandar, fico-lhe eternamente agradecido. Já há algum tempo que não desenhava um barco pirata tão bom e em tão pouco tempo.
Obrigado.
Políticos
Será que ainda ninguém percebeu que os políticos se vestem todos no mesmo alfaiate!?
É completamente verdade.
E até vos explico porque é que fazem isso.
Fazem-no para se precaver.
Pensem nisto um bocado. Vão ver que estou correcto.
Pensem comigo: Ali estão eles, hoje a comandar os destinos do país, o poder nas mãos, a caneta capaz de mudar milhares de futuros apenas por uma simples assinatura. E os políticos sabem disso. E também sabem que errar é humano. E que eles são humanos. Muito humanos, até. Que é o mesmo que dizer muito capazes de errar, e errar muito.
Assim, vestindo-se todos de mesma igual maneira, precavêm-se de num futuro mais ou menos próximo alguém os poder reconhecer e lhes vir pedir satisfações pela queda de uma ponte ou pelo colapso da segurança social. Ou por acaso acham possível encontrá-los por entre tal ardiloso disfarce?
-Não te lembras quem foi o político?
-Não estou a ver...
-Era aquele, de cabelo curto!
-Hum... Também não estou a ver...
-Ó pá, aquele! O de fato cinzento e gravata azul!
-Ah! Claro! Pois sim, então não se vê logo! Claramente: fato cinzento e gravata azul. Exacto. Já sei quem é!
Shawshank Redemption
Será que se eu usasse, nem que por um dia apenas, uns sapatos camurça cor-de-rosa, alguém notaria?
comic-strip&tease #12
-O PP critica o PS. O PS critica o PSD. A CDU critica o BE. O PSD critica o PS. E o BE critica o PP.
-Vê-se bem que estamos em pleno Dia dos Namorados.
-Como assim?
-São claras manifestações de "Quanto mais me bates mais eu gosto de ti"!
comic-strip&tease #11
-Em plena campanha eleitoral e em pleno dia de S. Valentim, é bonito ver que, no fundo, todos os partidos discursam o mesmo...
-Como assim?
-"Tal como o coração, o que eu digo tem razões que a própria razão desconhece".
Fiscal
O meu sonho de vingança laboral é um dia destes transformar-me num desses fiscais da Carris, de fato azul, gravata e camisa branca. Mas o sonho não inclui andar a pé e aos trambolhões pelos ditos Bus amarelos. Nada disso. O brilhante da ideia é que seria assumir essa função, mas aqui mesmo, na empresa!
Ah, sim! Andar pelos corredores e vasculhar os gabinetes! Conferir cartões e indumentárias com o poder autoritário suficiente para pôr toda a gente em sentido e poder mandar para a recepção com uma multazinha quem não traga meia branca ou tenha a foto do cartão da empresa com riscos; isto já para não falar em erros ortográficos! Olé! Isso é que seria o bom e o bonito! Seria, seria!
-Ó faxavôr! O Senhor por acaso sabe que tem Técnico Administractivo mal escrito, não sabe? É que não leva "c"... Pois é... Parece que temos aqui uma situaçãozinha muito chata. Temos, temos... Pois fique agora a saber que vamos ter de lhe passar uma multazinha de menos 15% do ordenado este mês...
Ah!
Sim!
Uma posições de terror absoluto!
Ah! Ah! Ah!(leia-se isto com riso maquiavélico e esgar tresloucado, a caminho do sanatório)
PS: porque é que as pessoas com cargos de declarado poder abusivo sempre tratam as coisas pelos diminutivos? Situaçãozinha... multazinha...
No mínimo: estranho.
Salada de frutas
O mundo, hoje em dia, tal como o conhecemos, não é um local fácil para viver.
Veja-se o caso dos produtos de beleza. O que eram e o que são!
Antigamente, bastava um bocado de óleo de fritura e um bocado de soda e tínhamos imediatamente um esfoliante. Um simples sabão era já um artigo do mais refinado que havia. Mas hoje não. O mundo da cosmética evoluiu, e como! Basta ver como hoje todos os produtos de beleza, do bâton ao champô, do creme de dia à ampola semanal, todos cheiram a uma fruta qualquer. Aliás, até já os detergentes cheiram a uma fruta qualquer!
Saímos de casa e o chão do prédio cheira a limão. O cabelo da mulher que viaja à nossa frente no Metro cheira a rosas. Ao lado, uma senhora aplica um bâton de cieiro que cheira a maçãs verdes?
Porquê esta insistência nas frutas!? Haverá um excesso de produção nos pomares? Será este o único caminho a dar-lhes? E porque não pensam também nas pessoas que não toleram fruta? Apostem mais em nichos de mercado!
Seguindo esta lógica, poderíamos finalmente ter amaciadores com aroma de fiambre. Champôs com extracto de couve lombarda. Uma linha de cremes de rosto baseada nos melhores enchidos portugueses. Enfim, um mundo.
Com isto, podia ser que passássemos o dia todo tão enfartados que assim viéssemos a comer menos e a ser bem mais elegantes. Até podíamos patentear isto e sair do buraco financeiro em que estamos metidos! Criar marcas, franchises, cadeias de produção, representadas, lojas com 100 mil metros quadrados!...
Uau!
Lembrei-me agora: pasta de dentes que proporcionasse um agradável hálito a atum!
Fabuloso.
40.000
o meu popó acaba de atingir os 40.000 quilómetros.
40.000 quilómetros, pá!
40.000!!!
alguém sabe se isto influi de alguma maneira na personalidade de uma pessoa?
bem, no ego da dita máquina acredito que sim.
mas ando indeciso... será que o meu popó terá saído da fase do armário, será que é um teen descomprometido ou já estará está apto para ir votar?...
Bom-Dia
São 9:00h da manhã de quarta-feira e já subi um lanço de 18 escadas de dois em dois degraus.
Acabo de cumprir o exercício físico mínimo recomendado à minha pessoa.
Estou livre para o resto do dia.
Já posso fazer gazeta e esparramar-me no sofá a ler a Exame ou as piadolas das Selecções do Reader's Digest.
(A propósito, porque é que os gajos se chamam Reader's Digest? Tem alguma coisa a ver com "digerir a leitura" ou é impressão minha?)
Número de contribuinte
Já todos o têm, certo?
Já?
Não?
Ah, pois! Claro que têm.
Todos o temos.
É o nosso número único. O nosso número de contribuinte.
Ali está ele. Na maior parte dos casos composto por 9 números. O nosso mui estimado e cuidado e guardado na carteira Número de Contribuinte. Ena! Todos temos outros números. Como o número de telefone. Ou de B.I. Ou de funcionário. De aluno. Enfim, números não faltam. Mas dizem-me que este é o mais importante. Este mesmo, o "número de contribuinte".
O que eu creio que uma grande parte das pessoas não nota, mas onde a designação ecuménica, desde logo, é explícita, é que este 'tal' número presume e pressupõe, sem margem para dúvidas, que nós vamos contribuir com alguma coisa.
A gente nasce. Cresce um pouco. E lá vem logo um agente infiltrado passar a informação aos pais de que "Ele já tem número de contribuinte? Não? Ah, é que ele tem de ter um número de contribuinte!"
É lixado.
Ficamos logo agarrados.
Ter-se um número de contribuinte é assinar um pacto com a morte das nossas poupanças. E eu fico pasmado quando não vejo ninguém falar nisto...
Cartões / Vales oferta
No campo dos aniversários e afins, a grande dor de cabeça é, primeiramente, de quem tem de oferecer alguma coisa?
-o que é que ela precisa para a casa?
-será que ele prefere esta camisola azul ou esta camisola rosa-choque?
Mas há sempre um fim para este tormento. Na pior das hipóteses, compra-se um par de sandálias de bambu da Nova Zelândia e está feito.
Claro que, com isto, segue-se nova dor de cabeça. Desta feita, maior ? é a dor de cabeça de quem recebe uma coisa de que não precisa e não gosta. De todo. Ainda assim, a dita vítima engole em seco o orgulho e pronta e educadamente oferece um sorriso amarelo; seguem-se as típicas expressões "É giro, é giro..." e "Oh, não precisavas!..."; os convidados vão-se despedindo da festa que custou a penhora do casaco de castor da tia-avó Avelina e, no silêncio da noite, fica-se a olhar para o monte de presentes cuja inutilidade roça o tamanho do monte Fuji e cujo asco se assemelha aos géisers na Islândia (se é que há géisers na Islândia...).
Portanto, chegados a este ponto, nada mais podemos fazer do que suspirar.
Claro que as lojas já inventaram uma solução para o problema: os cartões / vales oferta. A pessoa compra um cartão dentro de 'x' valor e o aniversariante regressa depois à loja para, com esse cartão, comprar o que mais gostar. Contudo, as pessoas parecem preferir não dar ouvidos às lojas, e compram o que bem lhes apetece, obrigando toda a gente a regressar depois com ar de enjoo e pedir o valor da camisola, para então trocar por outra coisa qualquer. Não é cómodo. Mas é o que se pode arranjar.
Consequência: o nosso amigo compra-nos um par de luvas com pêlo de urtiga que nós depois trocamos por uma camisola de lã, deixando na loja mais ?15, o valor da diferença.
É por isso que eu acredito já ter descoberto todo o tortuoso esquema que rodeia estes cartões / vales de oferta; a coisa deve-se passar mais ou menos assim ? a malta chega-se ao gerente da loja e diz que vai comprar um presente para alguém; o gerente logo dirá que têm cartões e vales de oferta, mas que se levarem uma peça de roupa lhe fazem um desconto de 15%. O papalvos somos então nós, os aniversariantes, que dois dias depois ali estamos a devolver as luvas e a levar uma camisola para casa. Não admira que no fim de cada mês as lojas tenham então uma facturação abismal.
O truque para que isto funcione lindamente é este: luvas, cachecóis, gorros e meias horríveis - não há ser humano que resista. A partir daqui, ou se guardam as ditas luvas para oferecer a um desgraçado aniversariante um ano depois, ou a solução é mesmo despender algumas notas e trocar por algo melhor.
Conclusão final: quando fizerem anos, peçam para não vos oferecerem nada; da última vez, em trocas de prendas nas ditas lojas desembolsei, no final, uma bonita soma de 90 euros. Precisamente o dinheiro que tinha guardado para comprar toda a colecção de miniaturas de leques de Andorra da Altaya.
Não se faz.
Palavras sábias
Quando alguém lhe perguntou qual deveria ser hoje, para a Europa e para os europeus, o projecto mobilizador da construção europeia, como antes foram o Mercado Único ou o euro, Lionel Jospin, antigo primeiro-ministro francês, não hesitou:
"A batalha pelo conhecimento e pelo progresso científico."
in Público 2002.02.03
sexo à fartazana
incluo e inscrevo as palavras sexo, orgia, líbido, clítoris e ornitorrinco na esperança de quem as procure na web aqui vir parar.
se é o seu caso, ora pois bom-dia, seja bem-vindo.
you're on candid camera!
morreu Ivan Noble
um homem de coragem.
podem ler um poucochinho dele aqui, no Público.
daqui seguem 3 linhas de silêncio
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Calvin & Hobbes #5
vai para mais de uma semana que o Público online não disponibiliza as tiras do Calvin.
isto está bonito, está!
está, está!
Como surgiu a...
Antigamente, as pessoas não precisavam de decorar as casas. Vivíamos em cavernas e pronto. Era o tempo do básico. A era da simplicidade. Um período cujos reinantes se apelidavam de ascetismo e limpidez. Mas nada dura para sempre. E houve de facto um acontecimento que veio alterar o curso normal das coisas: as celebrações!
A partir de certa altura na nossa evolução como espécie sapiens, achámos por bem começar a celebrar os aniversários e mais este e aquele feriado. A princípio, tudo se resumia a uns grunhidos pela manhã e umas palmadas nas costas ao amigo peludo mais próximo. Mas o cérebro desenvolveu-se, o polegar ficou mais oponente e passámos a fazer a depilação mais regularmente. Com isso, surgiu então um qualquer paspalho e oportunista que se lembrou de inventar essa magnífica dor de cabeça e rombo na carteira, que são os presentes.
Claro que, numa época como há milhares e milhares de anos atrás, não havia centros comerciais, nem Zara, nem Nike Store, nem Habitat e muito menos lojas dos trezentos. Portanto, o que é que as pessoas ofereciam? Pedras. Peles. Ossos? numa palavra: bibelots!
É portanto lógico que, ao longo de muitos e muitos anos, esses bibelots se foram acumulando, a tal ponto de as malas feitas de bexigas de dinossáurio que os nossos antepassados cuidavam no recanto das suas cavernas não os conseguirem guardar mais.
Foi então que alguém terá tido a refulgente ideia de aproveitar todo esse arsenal de infortúnio, desperdício, mau cheiro e em completo estado de fossilização e lhe deu uma arrumação lógica e coerente - - - numa frase: criou-se a Decoração de Interiores.
Hoje em dia, continuamos homens da cavernas. Uns com melhor gosto que outros. Mas no fim continuamos a oferecer, maioritariamente, os mesmos ossos e pedras e peles como o mais desperdiçável bibelot, só que fazemo-lo comprando nas melhores lojas.
Solução?
Os vales/cartões oferta.
Mas esses, ah... pudessem esses resolver todos os problemas!
Amanhã falamos nisso.
comic-strip&tease #10
-Pacheco Pereira está indignado.
-Então porquê?
-Diz ele no seu blogue, o Abrupto, que recebeu várias cartas de tradicionais votantes do PSD que afirmam estar fartos do seu dirigente e que vão abster-se ou votar em branco.
-Tss... Tss... de facto, a tradição já não é o que era.
TIM BURTON
então é assim:
estão a ver o "Nightmare Before Christmas", certo?
pois...
estão a ver também o Johnny Depp, certo?
estão a ver o tipo de imaginação, personagens e musicalidade, certo?
pois...
...agora ponham esses dedos a mexer, vão ao google, procurem pelo trailer de "Corpse Bride" e vejam tudo o que o Tim já fez com Mr. Jack Skellington e agora regressa, muito, mas mesmo muito melhor!
comic-strip&tease #9
-Freitas do Amaral diz-se perseguido e vítima de agressão política pelo actual Governo.
-É o descalabro. Só nos faltava mais essa. Para além do aumento do défice agora também temos sinais claros do aumento da criminalidade em Portugal.
-Onde é que isto irá parar...
comic-strip&tease #8
-Como se não bastassem as dúvidas relativas à economia, agora os partidos resolveram pôr-se a debater sobre quem irá permitir os casamentos entre homossexuais.
-E isso é só a ponta do icebergue.
-Ora bem.
-O pior nem são os casamentos entre homossexuais... o pior mesmo são os casos amorosos não assumidos entre partidos.
Líquidos
Vivemos obcecados por líquidos.
Deve ser por causa do buraco na cama de ozono que anda a derreter os pólos. Isso ou porque andamos terrivelmente desidratados.
Faço notar este assunto porque desde há uns anos a esta parte que vejo o mundo mudar à minha volta.
Hoje em dia tudo é líquido.
Quando eu era miúdo, lá em casa os sabonetes não eram líquidos, mas sólidos; e não havia sequer gel de banho; o pouco que havia com textura gelificante era o gel para cabelo ou então viscosidades de consequências cancerígenas usadas principalmente na mecânica de camiões e atrelados.
Os detergentes também não eram líquidos. Quer fosse para lavar a roupa branca, preta, de cores ou a louça de cristal ou louça do dia a dia, todos os detergentes vinham em caixas grandes e catitas, com letras coloridas, e sempre, sempre, em pó.
Outra área onde tudo, até há bem pouco tempo, estava a salvo da vaga de liquidificação, é a doçaria, mais especificamente o sector do chocolate. Quando queríamos evitar beber o leite ao natural recorríamos ao chocolate em pó; mas agora não, porque agora os putos têm aquelas embalagens do tipo?top down?, com chocolate docinho em formato líquido.
Hoje é assim.
É tudo líquido.
Veja-se o dinheiro!
Há apenas alguns séculos atrás, Robin Hood entretinha-se a assaltar os pesados cofres dos ricos lordes, carregados com rijas, palpáveis e sólidas moedas de ouro. Mas hoje isso de nada vale. Hoje o dinheiro escorre pela cabelagem dos Bancos, vê-se apenas nos extractos e manifesta-se nos bens que os ricalhaços compram. Mas há pior. E o pior é quando um tipo anda a exibir o seu Mercedes e o seu Bentley, um relógio de ouro de 24 quilates, tem uma mansão no Algarve e um brutal apartamento em Belém, e quando alguém se decide a roubar-lhe todo o dinheiro que ele tem depara-se com um incrível problema de liquidez.
Não se faz.
Lá os detergentes líquidos uma pessoa até pode tolerar, mas isto é que não!
Já chega!
A continuar assim onde é que vamos parar? À Atlântida?!?
comic-strip&tease #7
-Li na imprensa que os partidos querem a revisão do PEC, que o calçado deve muito à MOCAP, as OGMA tiveram lucros de 7 milhões, o MP recorreu da sentença do TC, a ONP vai ser integrada da Casa da Música, o presidente da NHK demitiu-se e a AFP é alvo de moção de desconfiança.
-Ena. Depois dos cortes na despesa e nos salários, passámos ao corte nas palavras. Estamos mesmo metidos numa grande CD?
-Contenção de Despesas?
-Confusão Danada.
comic-strip&tease #6
-Santana continua a atacar Sócrates e Sampaio com toda a força.
-Sócrates já exige maioria absoluta.
-Francisco Louçã e Paulo Portas trocam ásperas críticas um ao outro.
-Jerónimo de Sousa vai contra o PS, reprova Paulo Portas e ainda desmoraliza o actual governo demissionário.
-É... e ainda há quem tenha a coragem de falar em vaga de frio.
a contar... (mais e mais!)
100!
Pois é, amigos. Com ouvidos a latejar e tudo. Cá estamos! No pico da fama!
100 espirros!
Uau!
...
'Bora lá contar mais?
a contar...
78!
Após uma subida vertiginosa deles, eis que a estabilização da temperatura e uma lufada de ar fresco e 'limpo' me devovlem alguns minutos de paz e apenas pingos no nariz. Mas ainda assim, não acredito que a coisa fique por aqui...
vozes...
...o problema quando só se ouvem as vozes é que nunca se vêem os rostos, quanto mais os corações.
Soluções Práticas
O que eu mais gosto na vida são as soluções práticas.
-Como é que nos vamos proteger da chuva?
BANG! E surge um chapéu por onde não passa uma gota de chuva!
-E como é que vamos impedir de nos molharmos?
BANG! E lá surge um casaco impermeável de nome gabardina!
O que eu não percebo, mesmo, seguindo este tipo de raciocínio lógico e prático, é então de onde surgiu a gravata!
Para tapar os botões das camisas!?
Mas porquê?!... Para quê?
Para quê tapar os botões das camisas???
Tenho reflectido muito neste assunto.
De facto, devo dizer que tenho reflectido toda a minha curta existência neste assunto. E só vejo uma hipótese do nascimento da gravata estar associado à necessidade estética de tapar os botões das camisas: de certeza que antigamente os botões das camisas deviam ser todos enormes e feios com?ó caraças!
Não há outra explicação para o fenómeno.
E é assim, por isso, que hoje para além de darmos ?35 por uma camisa depois damos mais ?40 pela gravata.
Porreiro...
Obrigadinho, botoeiros da treta do século XIX!
O meu curso superior
Tenho de parar com isto.
Sempre que alguém me pergunta que curso tirei, caio logo no erro de dizer as palavras "Licenciatura em Publicidade". Nisto segue-se um sorriso tímido, o reactivo e subsequente agarrar das duas mãos no terço e o súbito afastar do corpo, delicado mas igualmente rápido e eficiente, resultando no desaparecimento da pessoa por completo e na minha total e completa solidão.
A partir de agora vou passar a dizer que tirei o curso de.. ... ... .. . ... Comunicação de Massas!
Nem sei se tal curso existe no nosso país, mas é pelo menos um nome pomposo e simpático, e a palavra massas tem sempre esse lado ligado à gastronomia, o que num país de boas bocas é bom.
Claro que também podem associar Comunicação de Massas a um desses políticos que só fala e promete e pouco faz na vida, mas paciência. Aos políticos em campanha sempre dão muitos abraços e beijinhos, o que nestes meses frios nem é mau de todo.
Quem é amigo?
http://www.warnerbrosrecords.com/damienrice/
Ele mesmo; o link para verem o videoclip do "blower's daughter" do Damien Rice e reverem algumas das melhores imagens do filme "Closer".
comic-strip&tease #5
-O PSD afirma que o seu programa eleitoral não são promessas.
-Então?
-É um contrato celebrado com todos os portugueses.
-Bem...
-...
-...só nos resta esperar que seja um contrato de 6 meses ou em part-time. Nem quero pensar assinar por tempo indeterminado!
Xingom
Praticamente tudo nesta vida é psicológico.
Como disse uma vez um escritor (que curiosamente tem um nome completo igualzinho ao meu): "o mundo é todo a nossa cabeça".
E de facto é.
Desde que num gélido mês de Dezembro vi um jovem a tomar a bica, às 9 e meia da manhã, vestido de bermudas e t-shirt, nunca mais duvidei dessa frase.
Isto pode parecer aberrante, mas asseguro-vos: não me estou a desviar um milésimo da realidade observada. E não, não estava sob o efeito de anti-estamínicos em dose reforçada.
Mas o que me intrigou verdadeiramente em tal aberração humana foram, sinceramente, os 3 relógios Swatch que ele trazia, divididos pelos dois pulsos...
Ainda hoje, tenho quase a certeza de que ele era um analista enviado pelo planeta Xingom, e que era por aqueles transmissores alienígenas disfarçados de relógios Swatch que ele enviava todos os dados sobre a nossa espécie lá para os escritórios dele, a milhões de anos luz daqui.
O que deve ter acontecido é que a secretária do gajo terá ficado sem net ou, melhor ainda, terá pensado que ele ia para o hemisfério sul do nosso planeta, e por isso enviou aquela roupinha. Agora imaginem a cara com que ele não terá ficado quando aterrou a nave ali para os lados do Cais do Sodré!
É que há coisas que não se fazem mesmo...
comic-strip&tease #4
-Pelos vistos, os novos estádios de futebol, construídos para o Euro 2004, não estão a chamar mais gente ao futebol.
-Que é que se poderá fazer mais?!
-Ora, é fácil.
-Baixar o preço dos bilhetes?
-Nada disso.
-Aumentar a segurança nos estádios?
-Não.
-Praticar melhor futebol, com qualidade, espectáculo e sem cenas lamentáveis?
-Também não.
-Então!?
-Criar uma promoção no Jumbo e no Continente, onde por cada 20 quilos de batata frita congelada ou 100 euros em compras se recebe um bilhete de borla. Vais ver. É num instante que enchem os estádios.
comic-strip&tease #3
-Estamos a entrar na recta final e só se fala em nomeações de última hora...
-É verdade! Que confusão!
-É o tempo todo com declarações dos dois a falar só de nomeações e reforços em lugares chave.
-Uma vergonha.
-E ainda por cima com salários absurdos!
-E tanto o Benfica como o Sporting ainda devem milhões ao Fisco!
-Eu estava a falar do Santana Lopes e do Sócrates...
-Ah...
Presentes & Crianças
Qual é a piada de recebermos presentes no nosso aniversário e no Natal? Já estamos à espera deles! No fundo, isso funciona mais como uma pressão (até mais como incentivo a ataque de ansiedade crónica) do que propriamente ocasião de alegria, rejubilo e felicidade.
Um mês antes inicia-se o stress.
Começamos a receber piscadelas de olho. Ali estão eles, os amigos e familiares, a tilintarem os olhos de cada vez que nós passamos em frente desta ou daquela montra. Depois iniciam-se as conversas suspeitas com perguntas ainda mais estranhas (a meio das quais tossem veementemente e nos voltam as costas, para escreverem qualquer coisa num caderninho). Por fim, há os que vivem sempre em maior ansiedade do que nós, atacados pela falta de ar e falta de imaginação, e que prestes a dar entrada no Hospital por ataque de pânico preferem então desabafar:
-Meu, a sério, diz-me por favor: o que é que tu queres para o Natal!
E tudo isto começa bem cedo.
Veja-se as crianças, em Dezembro.
Toda a gente lhes pergunta o que querem receber. Obrigam-nas a escrever longas cartas ao Pai Natal (que nós sabemos que existe mas que não percebe puto de Português e portanto nunca vai ler aquelas cartas), fazem-lhes interrogatórios dissimulados e minuciosos e, no meio disto, elas lá vão desejando e desejando, pedindo uma e outra coisa.
O mais irónico no meio disto tudo é que, grande parte das vezes, depois de tanto esforço e preocupação, uma grande parte de nós acaba mesmo por receber aquele conjunto de secretária de que não precisa.
Tanto stress!
Tanta preocupação!
Tanto vexame!
E para quê?
Se já nos queriam oferecer de antemão aquele conjunto de secretária, para que é que nos andaram a cacetear durante um mês!?
É por isso que eu gostava que as crianças tivessem direito a advogado. Eu não preciso. Já não vou a tempo. Fiz dezanove ainda o mês passado. Não, dezoito. E para mais, os traumas estão por demais velhos e enraizados. Mas as crianças! Bem, as crianças de hoje merecem isso.
Até porque uma outra coisa que não percebo no Natal é mesmo essa parte das cartas que as crianças escrevem. E não é só devido ao já explicado acima. É que me parece tudo algo suspeito... De que valem as cartas às crianças!? Ali descrevem elas o que desejam receber, minuciosamente, e ainda as obrigam a assinar no fim. Com o nome completo! E depois, chegando ao dia 25, ao verem que não receberam nada do que tinham pedido, como é? Onde estão as cartas?
Acho que seria bem mais honesto deixar os originais das cartas com as crianças, e enviar apenas um duplicado/cópia. Assim, no dia 26, caso as crianças se sentissem defraudadas nos seus desejos, poderiam sempre invocar as instâncias superiores e reclamar com força. E com provas.
É que não se faz... Andam elas metidas em pesquisas nos catálogos todos da Toys R?Us e dos Hipermercados e para quê!? Tanta escolha, tanta cedência, e no fim...
Apelo-vos:
Crianças, uni-vos! Guardem duplicados das vossas cartas e façam valer os vossos direitos!
comic-strip&tease #2
-Ao que parece, foi possível ver Pinto da Costa na Sic a declamar poesia.
-Não me parece nada demais.
-Trata-se do Presidente do F.C. do Porto!
-A meu ver, isso só prova o que se diz há muito.
-E que é?
-O futebol como verdadeira manifestação cultural no nosso país.
Semáforos
Em Lisboa, ou mais concretamente, nas ruas de Lisboa, todos os condutores sofrem da síndrome de MacGyver. Vocês sabem (pelo menos os que sempre viram o genérico) - é aquela cena em que ele consegue passar por um portão de ferro quando este está quase a fechar.
Em Lisboa é igual.
Todos os condutores gostam de se ver como MacGyvers.
Todos os dias, a toda a hora, assim que o semáforo passa do verde ao amarelo, é vê-los acelerar e esgueirarem-se a 120 e a roçar o sinal vermelho! Não sei o que eles andaram a estudar enquanto tiraram a carta, mas será que alguém se esqueceu de lhes ensinar o significado do amarelo!?!
A minha teoria é esta: alguém realmente se esqueceu. E na dúvida, o ser humano reage instintivamente. Ou seja, reage de acordo com as suas origens mais primárias. O mesmo é dizer que reage como um verdadeiro zombie! E digo mesmo um desses zombies autómatos, mecânicos, com olheiras no rosto como se não dormisse há décadas.
Tudo se passa, então, da seguinte sintética forma:
Ali estamos nós, a conduzir... Ao longe, ao fundo, um semáforo com uma luz verde tranquilizadora e simpática relaxa-nos. Deixamos o acelerador na posição socialmente correcta. Deixamo-nos ir. Mas... Eis... Que... De súbito, ao longe, essa luz refrescante desaparece! E em lugar dela surge então uma luz quente e luminosa, amarela, âmbar! É neste ponto que todos nos tornamos zombies. E é assim como zombies que logo desatamos a ir atrás dessa luz! Não vemos mais nada. Só essa luz! Cegamos! Uma descarga nervosa atravessa-nos todas as fibras do corpo e uma voz interior grita-nos "Acelera!", "Acelera, pá!". E nós aceleramos! Carregamos no pedal a fundo e só vemos essa fímbria nesga de espaço temporal que nos acalenta a esperança de nos conseguirmos esgueirar e, voilá!, passar incólumes e vitoriosos!
Só pode.
E é então perante este cenário que melhor podemos perceber o sinal vermelho. Porque o sinal vermelho será o estalar dos dedos do hipnotizador. Ali estamos nós, zombies loucos e dementes, a acelerar que nem loucos, e eis que nos surge essa luz vermelha, forte e quente, perante a qual acordamos do nosso sonho e reagimos, travando imediata e instintivamente.
O carro estaca.
Os discos chiam.
Os pneus derrapam.
O ABS é chamado a intervir.
O corpo é sacudido e tudo isto se assemelha a uma experiência entre o traumática e o surrealmente alucinante.
Regressamos à realidade, e em dois segundos a nossa consciência e pensamento lógico voltam a funcionar. É aqui, portanto, que todos pensamos:
-Ei! Para onde é que foi aquela luz maravilhosa?! Estava aqui mesmo agora! Era tão deslumbrante... E eu? Como é que eu vim aqui parar?!... Bem, não sei o que é que se passou, mas o melhor é eu ficar aqui paradinho e quietinho, e fazer de conta que não se passou nada.
comic-strip&tease #1
-Paulo Portas anda chateado com o parecer da Sedes...
-Então porquê?
-Segundo ele, o documento "acentua a depressão" do país.
-Não se faz!
-Sobretudo quando um terço do território é claramente montanhoso...
-Esta malta! Sempre a defender o litoral!
Humor Negro
O mais engraçado na vida é que o engraçado somos mesmo nós.
Diz-se por aí, quem sabe destas coisas do humor e labora nisto todos os dias, que o principal recurso são as desgraças dos outros. E percebe-se. Nesta nossa curta passagem por esta Terra, somos gozados à força toda, do princípio ao fim, e mesmo assim adoramos cá andar. Rimo-nos do mal dos outros, mas no fundo rimo-nos de um mal que está sempre a acontecer connosco também. Passamos então meia vida a rir de nós mesmos e segundo os mais velhos e experientes até esboçamos um sorriso na hora de dizer adeus a tudo isto a que chamamos vida.
Somos, sem sombra de dúvida, os seres com maior sentido de humor à face deste planeta.
E creio, verdadeiramente, que é por isso, e por isso apenas, que nos chamam espécie superior.
Tudo o resto são balelas.
SiTeMeTeR
Pronto, pronto... está bem!
Já criei um counter para o bla-bla!
A partir de agora poderão confirmar que somos os mesmos seis a vir aqui todos os dias. E a propósito, Demoníades, vê se falas com o Corri-Corrilhas para ele me pagar o guito, que o Aldrabo Yovilnicyz tá farto de me chatear a mona!
Até breve malta.
Nesquick
O que é que aconteceria se misturássemos umas colheres de Nesquick na água de regar as plantas!?
Big Books
Sempre que alguém me fala que leu um desses livros de 600 páginas, e mais, diz sempre que adorou.
Pudera!
São 600 páginas ou mais, caramba!
É uma vitória. Uma vitória pessoal. Uma grande conquista.
Significa que o desgraçado leitor andou cerca de um mês, a dois meses, a carregar com meio quilo de papel para todo o lado. Como é que não haviam de dizer que adoraram!? Somos todos masoquistas ou não somos? Claro que somos!
E a coisa está a alastrar-se.
Até os mais novos já estão viciados nisto. Dão-lhes Hiper-Disneys para as mãos e o resultado está à vista.
Não sei, mas creio que este fenómeno de paixão assombrada pelos livros grandes, que muita gente tem, deve ser coincidente com os puzzles. Devem ser as mesmas e exactas pessoas.
Quem ama livros grandes deve ser exactamente, inequivocamente, a mesmíssima pessoa que em frente de uma prateleira da Toy?s R? Us logo exclama:
-Ena!... Um puzzle de 3000 peças! Que cena! Vou levar para aí 3 meses a montar isto! Uau! Fixe! Vou comprá-lo já!
Se insistirmos neste ponto, até pode ser que sejam estas as mesmas pessoas a gostar tanto de sexo tântrico...
Pancada da grossa
Toda a gente já foi criança. Toda a gente conhece e lembra termos como calduço, caldinho, croque, cepa ou os mais triviais soco, estalada, chapada, canelada... enfim, um mundo de terminologias e diversas aplicações!
Mas este mundo é sempre inovador, e não falta quem se detenha a investigar novas formas de o expandir. Pelos vistos, há agora um novo termo e nova forma de infligir a maior dor a qualquer um que desejemos.
Chama-se Berlaito!
O Berlaito é muito fácil de aplicar. Trata-se de uma forte lambada na testa, mas não aplicada frontalmente. O Berlaito distingue-se porque é infligido na parte lateral da testa. É, portanto, de difícil aplicação, e só apenas usado por ?experts? de renome local, pois implica imobilizar a vítima ou prever com exactidão os seus movimentos. Caso contrário, lá se vai o berlaito...
Provérbios...
"Como sardinhas em lata"
Peço desculpa, mas alguém me pode explicar melhor o sentido desta frase?
Ou melhor: alguém me pode explicar porque a usam sempre que as pessoas estão apertadas num autocarro?
A sério.
Não estou a brincar.
É que não percebo mesmo porque é que a usam.
Da última vez que consultei a Enciclopédia lá de casa não me lembro de ter visto em lado nenhum que as sardinhas se metiam em latas para irem trabalhar...
Se o caso é verídico, então porque não falam também nas lulas!?, ou nas anchovas!?
Desculpem-me a insistência, mas aquelas latas são tudo menos transporte público para pescado. Por isso, não percebo a associação...
Acabem lá com isso, faxavor.
Inventem outra!
(E ai do primeiro que me acusar de vir para aqui cagar postas de pescada!)
Álvaro Siza Vieira
Para os que desconheciam a sensação que é um "baque", tiveram ontem a grande oportunidade das suas vidas, no documentário exibido pelo Biography Channel sobre o arquitecto Álvaro Siza Vieira.
Ali estva ele, um documentário porreiro, simples, directo, a abranger conversas com amigos, familiares, com o próprio, a seguir as pisadas do homem, a trágica morte da sua mulher...
E eis quando o documentário se aproxima do fim. Siza reflecte sobre a morte, expira, fuma, esfuma-se... Chegámos mesmo ao fim. Digo para mim próprio que é excelente o Biography Channel passar um documentário em português na sua semana de estreia e a uma hora decente. Boa aposta. Sim senhor... Mas eis que chega o baque. E chega com o lençol da ficha técnica. Eis que, então, me dou conta de se tratar o dito documentário de uma produção e realização espanholíssima.
Uau, que fixe...
...corrijam-me se estiver errado, mas acho que algo de muito mau se passa connosco, portugueses e cultura portuguesa, quando até a ideia, iniciativa e investimento para se fazer um documentário sobre Siza tem de partir dos espanhóis...
O que virá a seguir?
Deixarmos as vinhas apodrecer para que cá venham os espanhóis esmagar os bagos e vender as garrafas para a América!?
Horas de ponta
Nas horas de ponta vejo imensas pessoas, todos os dias, em enorme correria pelos corredores do Metro. Ouvem uma carruagem que lá vem... O eco anuncia-a cada vez mais perto... Tiram o passe... É preciso passar pelos torniquetes... O aviso sonoro dá conta da chegada da carruagem... Oh, não!, já entrou na galeria e já está a travar! Meu Deus! Ouvem-se os discos a chiar nos trilhos! As pernas aceleram! A passos rápidos descem as escadas dois a dois! Quem sabe!... Quem sabe... Talvez ainda consiga!... Mas eis que surge o apito das portas!... Pode ser que alguém fique entalado e tenham de reabrir as portas!
Ah!!!
Oh, não...
Foi-se.
Não tenho sorte nenhuma!
E ainda por cima agora tenho de esperar mais 3 minutos!
3 minutos!!!
Psst!
Pessoal, o que é que se passa?
São 3 minutos!!!!!
O que há de tão mau em perder 3 minutos?
O que é que vos vai acontecer no emprego?
-Desculpe lá o atraso, chefe...
-Jorge, isto assim não pode ser!
-Eu sei, chefe...
-Este mês, já é a quarta ou quinta vez que me chega 3 minutos depois da hora!
-Eu sei, chefe...
-Mais uma destas e...
-Eu sei, chefe. Peço desculpa. 3 minutos é imperdoável. Inadmissível mesmo! A culpa é minha. Toda minha, chefe! Eu não sou boa pessoa! Mas tente perceber, chefe: a minha irmã mais velha batia-me quando eu era miúdo!
Tipos de tipos, que por sua vez...
Há um tipo que por sua vez é amigo de outro tipo e que por sua vez vive perto do primeiro tipo, e este, por sua vez, como é lógico, também vive perto desse tipo.
Até aqui nada de mais.
Ora ambos os tipos conheceram uma tipa, que por sua vez conhece outros tipos. Mas esses tipos para aqui não interessam para nada. O que interessa nesta história é que os dois tipos, mais a tipa, e por sua vez a amiga desta tipa, saíram um dia para entrar naquela onda de... enfim, cenas maradas, do tipo... percebem? A coisa não correu bem. Tipo... Nada bem mesmo. E por sua vez os quatro foram descobertos. É que estão a ver, quando se está, tipo, naquela cena, por sua vez corre-se o risco de entrar numa onda do tipo... Já perceberam, certo!?
É que é do tipo: vai-se a fazer o que se quer, e isso por sua vez origina o que não se quer. É do tipo de coisa que já sucedeu a muita gente. Tipo cena de filme. Ou pior. Mas é das tais coisas. Tipo, se não se fizer, por sua vez também nunca se vai saber, não é?
E perante isto, numa próxima, que é que um tipo há-de fazer!?
Alguém me ajuda neste tipo de cenas?
Ratos de computador
Porque é que os ratos de computador têm aquela forma convencional?
Resposta:
Porque quando inventaram o computador, naquele dia memorável de 31 de Novembro de 1974, um dia frio, bonito e com muitas folhas amarelecidas pelos passeios de Kuala Lumpur, notaram que era necessário um rato, e como tal utilizaram o que estava mais à mão, que foi metade de uma manga; isto porque no frigorífico já só havia umas garrafas de coca-cola e um resto de rolo de carne.
Como são feitos os lenços de seda
Já muita gente, na sua tenra idade, fez esta pergunta. E é comum, muitas das vezes, virem pessoas dizer que os lenços de seda se fazem a partir da seda.
Balelas!
Tal não é, de todo, verdade. Tal como não é verdade que a seda vem do bicho-da-seda. Isso é apenas uma coincidência. Coincidência que é usada para esconder às mentes mais simplistas um processo na realidade complexo e atroz.
De facto, os lenços da seda vêm dos ténis Reebok Pump.
Acreditem. Parece incrível, mas também muitos de vocês não acreditavam que os iogurtes vinham dos zéfalos, e no entanto...
Assim que os ténis Reebok Pump saíram do mercado e foram depositados no lixo por milhões de putos pelo mundo fora, uma legião de funcionários das empresas de tecelagem indianas foram a correr buscá-los a toda a parte. É que o químico usado para encher os ténis, quando misturado nas doses certas com o algodão, torna-o muito mais fino e delicado. E daí se pode então fazer a seda. Um material nobre e caríssimo.
Claro que vocês podem perguntar:
-Então se é assim, como é que antes de haver os Reebok Pump já havia lenços e camisas de seda?
Óbvio, meus caros. Não havia. Era tudo uma pálida amostra aproximada do que a seda realmente é hoje. Até então, a seda como hoje a conhecemos não existia. Se pudessem encontrar um lenço de seda novo, de há 30 anos atrás, veriam como isto é verdade.
E alguns outros de vocês perguntam-me então:
-Ora, e se a solução para fazer a seda estava no químico usado nos Reebok Pump, porque é que não foram à Reebok pedir o nome do químico?
Isso é ainda mais fácil de responder.
De facto, eles foram lá, mas a Reebok negou-se a dar-lhes tal informação, com medo que os tipos fossem da Nike e quisessem copiar o modelo.
Hoje em dia, depois de descoberto o químico, já qualquer fábrica na Índia elabora seda de primeira qualidade sem qualquer problema. Adianto-vos eu, em primeira-mão e arriscando a minha pele, que o tal composto químico usado nos Reebok Pump era, afinal, Açúcar no estado gasoso.
Nem mais.
A arte de saber romper a regra
A promo-line livresca mais commumente usada e abusada é esta:
"Como usar as novas tecnologias sem que as novas tecnologias o usem a si"
ou:
"Como explorar a economia sem que a economia o explore a si"
ou:
"Como aproveitar o melhor dele sem que ele se aproveite de si"
E por aí adiante.
A vida, hoje, é feita assim, de chavões.
Copiamos frases feitas. Mudamos-lhes vírgulas. Damos um tom pastoral à coisa, outras vezes papal, semi-sábio, e já está. Passamos a ser emissores da frase do século. Nós e mais cem milhares pelo globo fora. E as provas aí estão, com esses livros a venderem tanto que a maioria de nós lhes esquece os nomes, deles e dos seus autores.
Dedico, por isso, o prémio de criatividade e arrojo ao Miguel Esteves Cardoso. Esse sim, com todo o mérito por saber romper com as massas e ter lançado, há alguns anos atrás, um livro de título "O Amor é Fodido".
Bem-hajas, Miguel.
Má língua
Sanguessugas são brincadeira de criança!
Unhas arrancadas??? Uma piada...
...nada se compara ao sofrimento de ter uma palavra debaixo da língua e não conseguir palavrá-la!
Tal&Qual
Manchete do Tal&Qual que eu sonho escrever:
"TOM SAWYER APANHADO NA MARMELADA COM ANA DOS CABELOS RUIVOS PARA FAZER CIÚMES AO COELHINHO DA PÁSCOA!!!"
Porque as mulheres precisam desesperadamente dos homens
As mulheres precisam dos homens por motivos diferentes ao longo da sua vida.
Quando os homens estão reformados, as mulheres não precisam deles da cintura para baixo, mas apenas para terem um ombro amigo, lavar a louça que elas se fartaram de lavar durante os últimos 40 anos e poder chatear com conversas sobre as amigas e a próxima viagem pelo Inatel.
As mulheres mais novas, essas, precisam urgente e desesperadamente dos homens para as compras. E não é para estes carregarem os sacos ou puxarem do seu cartão de crédito.
Nada disso.
Vejamos, então, para quê:
Cientistas altamente consagrados (como eu) pelos métodos mais inovadores, têm notado que uma mulher, quando entra numa loja, comporta-se de forma segmentada. A sua visão, o seu cérebro e as suas reacções musculares comportam-se com base em apenas duas indicações: cor e forma.
Se elas querem uma camisola azul, então a sua visão dentro da loja afunila-se e vêem apenas a zona de roupas azuis. A partir daí, passam a identificar a forma das camisolas. Não vêem mais nada. Tudo o resto que há na loja deixa-as perdidas. Se se afastarem muito dessa zona, entram em colapso e dão por si a sair da loja em três tempos, frustradas por não ter encontrado a camisola azul que tanto procuravam.
É aqui que entram os homens.
Nós, homens, somos essencialmente práticos. Rudes. Cruéis. Implacáveis! Connosco, tudo se resolve num máximo de 7 minutos. Entramos, vemos, experimentamos, pagamos, saímos. Limpinho. 7 minutos. Não falha.
Eis porque, normalmente, as mulheres não gostam que nós as acompanhemos às compras. É que nós cortamos a magia. Todo o ritual de experimenta, desiste e volta a experimentar, connosco não tem qualquer hipótese de sobreviver. A nossa grande qualidade é sermos como o Harvey Keitel no Pulp Fiction: quando a urgência é grande e a situação é crítica, nós somos a única solução.
E isto porquê?
Porque se a nossa mulher precisa de uma camisola azul, essa torna-se a nossa missão de vida, à qual não podemos falhar. E porque é que nunca falhamos? Porque a nossa razão para encontrar uma camisola azul na Zara ou na Mango torna-se uma questão de vida ou morte! Poderíamos nós, homens, alguma vez aguentar 30 minutos dentro da Mango?? Nem pensar! Por isso, é a nossa vida que passa a estar em jogo.
Por outro lado, normalmente somos sempre bem sucedidos porque as nossas regras são muito mais selváticas. Para nós, homens, vale tudo. Vejamos como:
Na nossa busca desenfreada e contra a morte, acabamos por encontrar a camisola azul de tamanho ?S? que toda a gente dizia já não haver. Encontramo-la entre 12 pares de saias pretas e 8 casacões roxos; um truque de alguém, que ali resolveu esconder o seu bem mais precioso enquanto ia a outra loja tirar as dúvidas. E mais: para além da camisola azul, ainda vemos o cinto que é a prenda ideal para dar à F. e uma t-shirt que é mesmo do que a S. precisa. Aqui está, finalmente, a teoria que explica porque os homens são indispensáveis às mulheres em matéria de compras.
PS: a outra teoria que explica o nosso sucesso é a de que as mulheres nos levam com elas às compras sempre em dia de jogo, isto para que o nosso desespero em chegar a tempo do início do jogo seja tão grande que as deixamos comprar tudo e ainda lhes levamos os sacos todos...
Money Works?
Passamos a nossa vida inteira a tentar enriquecer depressa, mas nunca pensamos como temos vindo a empobrecer devagar.
Com 16 anos, os nossos pais dão-nos uma mesada mixuruca, com a qual saímos à noite, bebemos copos à farta cravados a todos os que conhecemos, temos miúdas, sexo, borga e uma vida livre de responsabilidades acrescidas e repleta de 'joïe de vivre' e de sonho.
Com o tempo, chegamos a directores de uma multinacional, ganhamos milhares de euros e, no fim do mês, pouco nos resta, porque gastámos imenso em jantares, passámos vários cheques em lojas, supermercados, escolas dos putos, descontámos metade para impostos e enterrámos tudo o resto em empréstimos e na bolsa. Passámos as noites todas enfiados no escritório, e nem um único filme fomos ver ao cinema no ano inteiro. Conduzimos um carro de luxo que a empresa nos empresta, e dizemos que somos ricos, até porque temos três passes para os três melhores country-clubs do país, onde vamos, no máximo, uma vez de 4 em 4 meses...
Não sei porquê, mas acho que ser jovem e "pobre" é que é mesmo fixe.
No fundo, com 50 anos tentamos voltar a fazer tudo o que fazíamos antes com muito pouco dinheiro, mas agora gastando tudo o que ganhamos.
Estranho...
Mulheres: ganharam!
A vida é mesmo injusta para o sexo masculino.
Mulheres, não vale a pena continuarem a defender-se - Já ganharam.
Nós, homens, não temos nada que nos apoie na velhice. Podemos até só rapar os pêlos de 20cm2 de pele enquanto vocês o fazem para as pernas, axilas e virilhas. Mas algum dia, alguma vez, algures nos vossos mais remotos pensamentos saberão o que é essa temível e terrível sentença, essa desprezível maldição que é possuir longos, grossos e retorcidos pêlos a brotarem das narinas e dos ouvidos, cada vez maiores, à medida que a velhice toma conta de nós!?!?
Não me parece...
Ah, juventude!
Pepe FROTA
http://jornal.publico.pt/2005/01/05/Sociedade/S99.html
Esta notícia do PÚBLICO dá conta de um livro que Alexandre Frota vai lançar na próxima segunda-feira, e que terá sido escrito em apenas dois dias, mais precisamente os dois dias que compuseram o fim-de-semana passado; esse mesmo, o de final de 2004 e início de 2005.
Pôxa!
Não sei que diga!
Alexandre Pepe Rápido Frota!?
Será que o homem, quando faz filmes porno, também despacha o "assunto" de forma assim tão rápida?...
Cabelo nos homens VS. Mulheres
O cabelo é uma chatice...Já aqui falei no brilhantismo do gel para cabelo. Mas hoje vou falar dos malefícios e desejos sobre o cabelo.
O mais curioso no cabelo é que, para uma grande camada de homens, ele é uma imensa dor de cabeça, enquanto que para as mulheres ele é um bem estimável.
Para os homens, o cabelo é esse empecilho que sempre cresce e tem de ser cortado todos os meses. Atrapalha-nos a vida. De manhã torna-nos horrorosos. E por mais que tentemos, nunca sabemos muito bem como lidar com ele. Daí ter nascido o gel e a brilhantina. E daí também, aliás, porque o cortamos "à homem". Cabelo "à homem" é cabelo curto. Não é à toa que no serviço militar o cabelo é quase rapado.
Mas para as mulheres nada disto faz sentido. Porque para elas, desprezar o cabelo é menosprezar um filão de auto-estima e de valorização pessoal.
O cabelo, para as mulheres, é como um bonsai para os nipónicos. Cuidam dele com muito jeitinho, todos os dias; têm pentes especiais; aplicam-lhe cremes; champôs para períodos do mês e do ano específicos; hidratam-no, mimam-no... E ao contrário dos homens, as mulheres vão ao cabeleireiro, principalmente, "arranjar o cabelo"; em casos extremos, cortam-se as pontas ou apenas um ou dois dedos. Mas nós, homens, somos incapazes disso. Para nós é: "Pente quatro, faxavor!".
Não admira, portanto, que a calvície seja um problema inteiramente masculino. Faz todo o sentido. É algo com o qual não sabemos lidar. Até à parte de nos servirmos de um pente e um ou dois champôs, tudo bem. Mas mais do que isso é muuuito complicado.
A minha ideia para tudo isto é que, algures na nossa existência como espécie em vias de desenvolvimento, nós, homens, ter-nos-emos reunido e escrito um tratado clemente onde pediríamos:
"Caro Deus, por favor, nós já somos feios e peludos por todo o corpo por natureza. Do que menos precisamos é destes pêlos na cabeça a crescerem constantemente e a taparem-nos a cara. Pedimos-te! Rogamos-te! Tira-nos esta coisa de cima! Porque se assim não for, não temos hipótese com as miúdas! Isto denuncia-nos imediatamente que estamos há várias semanas sem um banho!"
Posto isto, Deus tê-los-á ouvido. E eis, portanto, porque hoje temos homens carecas.
O tabaco, um mal!?
Os malefícios do tabaco...
Tabaco, tabaco, tabaco!
Parece que de repente todos acordaram para um mesmo mal, contra o qual acham que têm de investir todos os esforços e mais alguns.
Matem o tabaco!
Matem o tabaco!
Matem o tabaco!
Eu não fumo, mas acharia muito mais engraçado ver a opinião pública e o Estado a serem bem mais originais.
Veja-se, por exemplo, o caso do pastel de nata! Esse sim, um grande responsável pelo aumentar da obesidade nas populações.
"Governo limita a venda de pastéis de nata a uma unidade por pessoa / dia"
"Pastel de nata banido de cafés e snack-bars!"
"A partir de 2006 o pastel de nata só poderá ser adquirido em estabelecimentos próprios e por maiores de 18 anos"
Olhem para isto!
Vejam os milhares de pastéis de nata que são consumidos todos os dias impunemente e que nos consomem as carteiras, instalando-se em larga escala nas nossas massas adiposas!
Isto não pode continuar.
Abaixo o pastel de nata!
Mas onde é que já se viu?
Daqui a pouco ainda nos obrigam a reciclar o lixo, não!?
Tss...tss...
2005
É pá,
alguém me diz o que é que se passa?!
Quem foi o paspalho que andou a brincar com o calendário, pá!??
porra...
Agora vou ter de fazer 'reset' a isto e começar tudo de novo, não é!?
Paspalheira...
Logo agora que já me 'tava a habituar ao 2004!...
Ar forçado
Há uma questão que me intriga. Aliás, sempre intrigou.
Quando eu era mais puto, adorava andar de carro com o meu pai. Mas havia algo que me fazia coçar a cabeça: no Inverno, com o frio, o meu pai ligava o aquecimento no carro no máximo para desembaciar rapidamente os vidros. Umas vezes abria também as janelas, para deixar entrar ainda mais ar e desembaciar os vidros mais depressa; mas a maior parte das vezes deixava os vidros fechados, e ali ficavam as ventoinhas no máximo, a puxar ar lá de fora e a mandá-lo já quentinho para dentro do carro.
O que eu ainda hoje não percebo, enquanto faço exactamente a mesma coisa, é isto: se eu tenho os vidros fechados e estou constantemente a meter ar dentro do carro, como é que ao fim de uma boa meia-hora o carro não levanta como um balão!? ou, simplesmente, não rebenta, como uma bola de sabão!?
xmas&2005
venho por este meio desejar aos três leitores que cá vêm ler este blog (portanto, ao meu heterónimo, à minha mulher e ao meu vizinho de cima, que passa a vida a tentar descobrir como me há-de estragar o blog) um g'anda xmas e um xalente 2005.
se mais alguém por aqui vier passar os olhos,
é pá, o mesmo p'a vocês também!
como diria o meu amigo NunoGodinho: namaste!
Cães nos cafés
Muita gente se chateia quando vai a um café e tem de deixar o cão à porta.
De que é que estavam à espera?!?
Os senhores do café só estão a ser responsáveis e misericordiosos. Pois como acham que se sente um cão ao entrar num antro de caramelos, rebuçados, bolos cremosos, pastéis de carne, fatias de salame, queijos amontoados sobre outros queijos, rissóis e sandes de lombo assado!? Só o cheiro de isso tudo já lhes é penoso o suficiente!
Aliás, bem vistas as coisas, é minha opinião que se fizesse o mesmo em muitas outras situações. Hoje em dia, temos de ser muito mais conscienciosos.
Veja-se o caso das casas de brinquedos!
Eis um dos grandes exemplos de irresponsabilidade. Também aí deveriam haver sinais que impedissem os pais de levar os miúdos lá para dentro.
Que crueldade...
Ainda nem têm mesada ou ordenado mínimo e ali estão eles, inocentes, puros, a serem arrastados para um delírio de tentação e desejo.
Não se faz.
Claro que, apesar disso, é engraçado ver os pais com ar seguro e responsável dizerem aos seus filhos:
-João, tens de perceber que não podemos comprar tudo o que nos apetece; mas claro, apesar de eu saber isso, só entrei aqui para te fazer sofrer e sair sem levar um único Lego. Mas tu compreendes isso, não compreendes!?
Experiência caseira
Tenho uma caneta bic pendurada lá em casa. Está ali há mais de 4 meses. Sem tampa. Completamente aberta. O tubo de tinta cheio que nem um ovo! Que nem um coco prestes a cair do ramo! Ali está ela, esguia, translúcida, aberta, com o rabo de plástico preso a um fio de pesca que por sua vez se segura num mágico gancho da Tesa, no tecto. Segundo eles dizem, lá na bic, a tinta nunca irá sair pelo bico. E é verdade. Pelo menos há já 4 meses. Daqui a mais 2 dou por terminada a minha experiência. Se até lá o raio da caneta não tiver feito tábua rasa ao marketing da bic, o meu sofá velho não irá ficar cheio de tinta azul e de nada me servirão as já 960 cassetes de vídeo de 180min. com tudo filmado...
(É verdade que se somar o valor das cassetes já poderia ter comprado um sofá novo; mas digam-me sinceramente: acreditavam também vocês que eles tinham testado o raio das canetas!?!)
Escrita Criativa
Às vezes perguntam-me o que é a escrita criativa.
A resposta não é fácil.
É que a escrita criativa não tem nada a ver com estruturar ideias. Muito pelo contrário. Porque é daquelas coisas que só os tipos que nunca sabem tirar as meias dos pés como deve ser, sabem fazer. E esses tipos sabem fazer tudo, menos estruturar ideias e tirar as meias dos pés como manda a lei.
A sério.
Deve haver alguma tese sobre isto bem mais fundamentada. Mas no fim, esse crânio e eu estaremos intimamente ligados pela mesma conclusão: gajos que escrevem criativamente bem são aqueles gajos que se trocam por completo no que toca a pares de peúgas.
Gavetas cheias delas onde metade não está com o par certo; quedas bailarínicas enquanto tais escribas tentam tirar as ditas das patas; bolas de algodão amarfanhadas e disformes, espalhadas pelos recantos escondidos da casa no percurso entre a cama do quarto e o cesto da roupa...
São assim os criativos da escrita: loucos, aluados, perdidos no seu mundo único!
Assim, sublinhe-se: escrita criativa é não saber tirar as meias, não saber lavá-las, e sobretudo, não saber de uma delas quando já se calçou a outra (após se ter repetido o mesmo para todos os pares na gaveta funda...).
Deste modo, se algum dia um jovem empregado ou colega vosso chegar atrasado e usar o argumento de que esteve a arrumar a gaveta das meias para poder encontrar o par delas todas - sorriam, e digam-lhe que "tudo bem!".
Afinal, vocês estão na presença de um génio.
Constipações
é quando estamos VERDADEIRAMENTE constipados que percebemos o conceito de "papel macio". Até então, tudo não passa disso mesmo, um conceito perdido na nossa cabecinha. Mas é nesse dia fatídico, nesse dia de nariz húmido e ferido, de lábios gretados e pele seca, que damos valor e percebemos a diferença entre um pacote Renova e rolo de cozinha...
Tiques
O mais interessante nas pessoas que usam óculos ou fumam são os tiques.
Eu adorava usar óculos ou fumar, só para poder ter aqueles tiques.
O problema é mesmo o dinheiro.
Fumar um maço por dia custa dois salários mínimos ao fim do ano. E as armações leves e estilosas custam uma pipa de massa.
Por isso, aqui se desarma o argumento cinematográfico que nos vêm incutindo ao longo dos anos, de que todos podemos ser grandes ídolos cheios de tiques mágicos ao vislumbre dos quais qualquer ?babe? logo desfalecerá.
Nada disso.
Para ter o tique mágico de um Bogart a retirar o cigarro da boca e assim pôr meia plateia a cair para o lado, só mesmo auferindo um belo ordenado de estrela.
Isso ou então optar por aqueles cigarritos de chocolate... Mas depois lá se vai o tique de atirar belas bolas de fumo ao ar.
Uma conversa qualquer
Para conversar qualquer coisa serve. Qualquer assunto. Aliás, uma conversa qualquer é isso mesmo: uma conversa sobre um assunto qualquer. Não importa ao certo qual, desde que seja com qualquer um e em qualquer lugar. Nada maior e mais nobre existe senão conversar. Por isso falemos. Conversemos. Troquemos conversas. O necessário mesmo é que se troquem umas palavras quaisquer para então no fim podermo-nos ir embora com a consciência tranquila de que falámos sobre qualquer coisa. Falámos. Pronto. Está dito. Nada mais há depois a registar. Porque qualquer coisa é sempre preferível a coisa nenhuma. E disso não há qualquer dúvida.
Palavras...
Alguém me pode explicar porque razão a palavra ?analogamente? ainda não foi motivo de estudo detalhado? Porque razão uma palavra que tem começo em 'anal' pode ser usada como sinónimo de "semelhante", "afim", "parecido" ou mesmo "aproximado", e ninguém reparar nisso!?!?!
Allô!?
ANAL!!!
Há lá perversão maior que esta?
O que se segue?
Pilau?
Teremos algum senhor doutor a proferir numa conferência:
-"Eu creio que, analoga e pilaumente a isso, há muito ainda a ser estudado."
Não me parece...
C & R
Contexto. Contexto e Relatividade.
Eis os pilares da vida moderna.
É graças a eles que conseguimos compreender o mundo de hoje em dia.
Contexto. Relatividade.
Por eles podemos perceber tudo. Por eles sabemos que, se virmos um tipo cantar mal no chuveiro, não o mandamos calar; por eles sabemos que se virmos um tipo cantar no meio da rua o chamamos de louco e por eles sabemos que se virmos um tipo agarrado a um microfone em cima de um palco lhe damos 35? das nossas poupanças com todo o gosto.
Contexto. Relatividade.
Da mesma forma, se ouvirmos 'Kuduro' numa discoteca na margem sul do Tejo lhe chamamos música brega, mas nos jardins da Gulbenkian transforma-se em música étnica.
Contexto.
Relatividade.
Analogamente, a traição masculina nalgumas sociedades obriga ao capanço do dito, enquanto noutras isso é visto como um acto de pujança e virilidade.
Contexto...
Relatividade...
É talvez devido a estes pilares de raciocínio que os actuais governantes do nosso país nos dizem para acreditar no futuro:
-Dado o actual Contexto mundial e uma vez que a felicidade é Relativa, de facto, temos de concordar com eles: o momento é mesmo de total optimismo e contagiante alegria.
Como se fazem os iogurtes?
Esta é uma das questões que mais ocupa a mente do homem moderno dos nossos dias. E muito me apraz poder, aqui, agora mesmo, respondê-la.
O iogurte tem origem no esmagamento dos crânios dos zéfalos, animais rastejantes que existem apenas no centro da Austrália (não medem mais de um metro de comprido e pesam cerca de 15 kilos). Após o esmagamento do crânio dos zéfalos, a massa obtida é desfeita por um processo químico denominado azefalialactisferta, de onde se extrai o lado pastoso e branco da massa cerebral dos zéfalos. Esse produto é então exportado em grandes contentores para todo o globo.
Em cada país, posteriormente, o lacti (nome pelo qual é comummente conhecida essa pasta branca), é depois misturado com água das pedras e pastilhas de cálcio. Este processo leva cerca de 4 dias e é acompanhado de perto por especialistas com idades nunca inferiores a 19 anos e nunca superiores a 22. As razões de tal coisa são ainda um mistério, mas a verdade é que sempre que se tentou furtar tal regra universal, isso só deu merda.
Após o lacti ter sido misturado e remisturado e controladamente transposto para os bidões que darão os iogurtes, é adicionado o corante.
O corante tem sempre origem animal. Isto nos bons iogurtes. Porque nos maus adicionam tinta bio-degradável. Quanto aos corantes, o mais usado é o branco (recorrendo ao sangue das térmitas africanas) ou o branco pérola (vermes-de-sola de Singapura). Para cores mais fortes recorrem-se às aféminolíneas do sangue dos animais de sangue quente, abatidos nos matadouros por esse mundo fora.
Após esta mistura, o leite iogúrteo é então vertido para uns pequenos boiões, para posteriormente ser selado e comercializado.
A razão do prazo de validade dos iogurtes nem é tanto o facto de se poderem estragar, mas apenas porque os corantes têm uma duração limitada, após a qual ser ultrapassada logo começarem a decompor, todos eles, em verde acastanhado.
Assim é, portanto, como se fazem os iogurtes.
(Grosso modo, claro!)
Tu hablas português!?
Porque é que tantos pacotes de cereais e de sumos e de bolachas e de pastas de dentes e de champôs e de detergentes e de tantos eteceteras trazem sempre o nome e as restantes laminares frases de promessa publicitária em espanhol e, quando toca ao português, vem tudo numa letra uns tamanhitos abaixo!?!?
Isso significa o quê?
O tamanho da letra é proporcional ao número de falantes de cada língua no mundo!?
Como é que fazem então com os chineses?!Oferecem uma embalagem extra, vazia, para lá escreverem em letras gordas tudo o que não coube na embalagem principal!?
IBM
e se, às 17:40h o vosso disco rígido resolver presentear-vos com um knock-out e sucessivo barulho repetitivo da agulha, isso é........
...um disk-boot-faillure.
Mas não se preocupem;
basta terem feito um backup dos últimos 10 anos do vosso disco rígido nalguns DVD's.
Parques de Estacionamento
O melhor indicador de diversão para uma criança é o tamanho do parque de estacionamento.
Se é grande, então há muita gente.
E se há muita gente ali parada, só pode ser porque ali há imensas coisas para alguém se divertir.
É matemático.
E infalível.
Já alguém viu parques de estacionamento gigantes e abarrotadamente cheios de carros junto de uma repartição das Finanças!? Respondo por vocês: não.
Mas o que acontece com estes locais:
praias no verão, estádios de futebol antes de um jogo, centros comerciais ao fim-de-semana, qualquer dia e qualquer hora na IKEA, fim-de-semana de sol no jardim zoológico...?
R: Todos têm os parques de estacionamento incrivelmente cheios.
Não há que enganar.
Para uma criança, um parque de estacionamento só pode significar uma coisa: divertimento. Ali estão milhares de pessoas que pensaram ao mesmo tempo "'bora lá divertirmo-nos um bom bocado".
E porque é que isto é verdade? Porque só sabendo que o divertimento ia valer a pena estas pessoas se deram ao trabalho de enfrentar intensas filas de trânsito no mesmo sentido e a busca infindável por um rectângulo preto delimitado a traços brancos.
Façam o teste. Vão a um qualquer lugar onde um enorme parque de estacionamento esteja cheio e perguntem ao puto que vai no banco de trás:
-"Ouve, o que achas que se está a passar aqui?"
A resposta dele é imediata:
-"Não sei, mas deve ser fixe."
Top-Speed-Film
Já vi mais de 10.000 filmes na minha vida.
Quando digo isto às pessoas, quase ninguém acredita.
Mas é verdade.
É claro que a maior parte destes os vi desde o aparecimento do DVD. Mas isso não importa.
O que importa é que os DVD?s me facilitaram muito a vida no que respeita a ver filmes.
Se nos livros me bastava ler o índice e a última página (resultando isso às vezes na perda de cenas interessantes e cruciais lá pelo meio), com os DVD's isso não acontece, porque alguns trazem páginas de selecção de capítulos tão extensas e detalhadas que dá para ver o filme todo como se fosse uma autêntica B.D.
É fantástico!
Só faltam mesmo os balõezinhos!
Com isto, cada vez mais adoro as novas tecnologias ao serviço da sétima arte. E cada vez mais adoro ver filmes.
Às carradas!
Presentes de Natal
A forma mais camuflada de chantagem e compra de favores que há são os presentes de Natal.
Toda a gente vê a polícia a apanhar bandidos que traficam droga, políticos facilmente subornáveis, dirigentes desportivos corruptos... mas já alguém viu a D.ª Luísa ser presa porque ofereceu a última fragrância da Dior à menina Carla do Banco!?, ou o Sr. Silva por dar umas garrafas de tinto alentejano ao tipo do café onde vai todos os dias tomar a bica e engolir um croquete da casa!?
Claro que não.
Mas a verdade é essa:
Todos os santos Natais somos inundados com presentes de quem precisa de nós, e todos os santos Natais inundamos de presentes quem mais precisamos.
Gastamos 40? numa garrafa de espumante e oferecemo-la com um sorriso; mas o que queremos dizer em surdina, realmente, é:
-ouça, Sr. Ferreira, nos próximos 365 dias do ano, não se esqueça de me dar aquele croquetezinho a mais e de me piscar o olho quando o arroz for de ontem!
E é claro, do lado de lá vem sempre aquele sorriso fraterno e honesto de quem é presenteado com tais ofertas e cintilantes sorrisos cristalinos, ocultando por sua vez um pensamento incontornável:
-Claro que não me esqueço! Nem de si nem dos 130 clientes que cá vêm encher-me de chouriços da terra e de farnéis com pães-de-ló com sabor a água! É isso e depois fechar as portas! Deixe mas é aí a Murganheira e continue a comer os croquetes do dia anterior a pensar que são frescos...
a rotina...
Eu sou um tipo que gosta da rotina. A rotina conserva. A rotina tranquiliza-nos. Todos os dias acordamos à mesma hora, passamos a sentir fome sempre nas mesmas alturas do dia, tudo está programado para acontecer matemática e mecanicamente em momentos muito precisos do dia.
Podemos relaxar e viver em paz.
No fundo, só temos de nos preocupar uma vez em planear como queremos que sejam os nossos dias, e a partir daí é curtir.
É como se fôssemos o capitão Kirk e nos puséssemos a andar por aí com a Enterprise em velocidade de cruzeiro. Podíamos então recostar-nos na cadeira, com os braços atrás da nuca e desfrutar da vista e do passeio.
O único problema da rotina é quando, um dia, quando era suposto acontecer-nos rotineiramente alguma coisa, tal não acontecer.
Entramos em colapso.
A partir daí o mundo desmorona-se, entramos em Warp 20 e desatamos a ligar a todos os amigos psicólogos e cardiologistas que conhecemos. Do lado de lá, como é lógico, temos essa voz de compreensão e inteiro interesse profissional:
-Então, o que se passa!?
(É aqui que nós podemos descarregar todos os nossos desabafos)
-João, não sei o que tenho... não sei o que se passa comigo!! Por esta hora era suposto a minha bexiga estar aflita, mas não sinto vontade nenhuma.
Do lado de lá, como é lógico, a reacção não se faz esperar:
-Põe-te aqui depressa. Isso é grave!
-Eu sabia! Isto nunca me aconteceu... Eu bem suspeitei quando na terça-feira passada só me veio a fome dez minutos depois do que é habitual!...
xixi...
Não vou mais fazer xixi.
Renuncio a essa faculdade animalesca e grotescamente primária.
Para que é que quero isso!? Para que hei-de ir três ou quatro vezes por dia ao WC? Lavar as mãos três ou quatro vezes... Gastar três vezes litros de água e três vezes litros de detergente e três vezes três folhas de papel para limpar as mãos!?...
Não.
Esqueçam.
Não há nada de bom no facto de podermos fazer xixi.
Muito pelo contrário!
E agora que não faço mais xixi, vou também renunciar às minhas capacidades fecais. Porque isso sim, será revolucionário. Irei tirar a sanita da casa-de-banho e colocar aí um bom sofá!
Para que havemos de estar a ler o jornal com o rabo sentado numa louça fria, se o podemos fazer no conforto de uma boa poltrona!?
Perguntam os demais:
Mas para quê renunciar a tudo isto se posso ter uma poltrona na sala?
Ora, meus caros, ora... Por razões mais do que óbvias!
-Na sala entra toda a gente, quando quer e bem lhe apetece; no WC não; o WC é o nosso refúgio, o nosso cantinho eremita.
-Na sala não temos água mesmo ali à mão; no WC basta esticar o braço e abrir a torneira.
-Mais: no WC podemos pôr-nos em frente do espelho e admirarmo-nos enquanto fazemos figuras ridículas à vontade (sim, porque ninguém alguma vez irá arriscar fazê-lo na sala).
- Mas sobretudo: a grande vantagem de uma poltrona no WC é porque ninguém se senta na poltrona da sala a ler o jornal completamente despido da cintura para baixo.
Experiências
Porque é que temos de passar por tantas experiências traumáticas más, e não passamos igualmente por imensas experiências traumáticas BOAS!?
Modas
As modas estão por toda a parte. A moda está na moda. E está in. Está in estar-se na moda. Quem não está na moda, ?não está lá?? E o singular das modas é que cada vez mais elas deixam o espectro da vestimenta para se apoderarem de inúmeros outros campos. Como o das letras!
-Este ano está na moda fazer relatórios com Times New Roman?
-Já ouvi dizer que para o ano que vem vai ser obrigatório fazer as actas em Comic Sans?
Mas esta omnipresença faminta da moda está imparável. Não se pense que ela fica por aqui, pelo caricato. Até porque acautelem-se: nada disto é, de facto, caricato, mas muito sério.
Pelos vistos, o domínio das modas atingiu também os desempregados!
É que até já os currículos passam por modas!
-Este ano a moda é o texto alinhado à direita!
-O ano passado a moda foram as fotos a preto e branco!
-Diz-se que para o ano que vem?
Modas, modas, modas?
Será que há uma moda de seguir as modas que também é intercalada pela de não as seguir?!É que eu gostava de parar um pouco. Não sei? Digo eu? Tipo, para poder respirar!
Frango, esse animal!
Perdem tempo com tanta coisa, menos com o essencial.
Frango sem caroço. Eis pelo que a humanidade deveria sentar-se e discutir seriamente! Isso e também o terrível esmaecimento rápido das flores compradas no supermercado.
Tirando estes problemas gravíssimos por resolver, só me sobra mesmo o pavoroso caso das meias ? decerto que também vos está a sempre a acontecer!!! Ao fim de 4 ou 5 meses, começam a ficar todas desemparelhadas!!!! Não há ninguém responsável por isto? Nem ninguém que consiga resolver isto!?
PostScriptum: desculpem-me a insistência, mas... quem me pode explicar porque é que os casacos de malha agora trazem duas fatias de fiambre nos bolsos!?
Sexo à vista: Homens VS Mulheres
O sexo, entre homens e mulheres, está sempre presente.
Não vale a pena sermos hipócritas. Deixem-se todos de falsos moralismos!
Homens: tudo o que vocês querem são rabos redondos e subidos, seios volumosos e pernas de metro e meio!
Mulheres: confessem-se!
É que nesta coisa da admiração sexual, de longe, voyeur, violadora, sagaz, faminta, as coisas ainda não estão bem esclarecidas.
Toda a gente sabe que os homens adoram pernas. É por isso que as mulheres fizeram a mini-saia. Da mesma forma, toda a gente sabe que os homens adoram seios. Por isso inventaram os decotes e o Wonderbra. E toda a gente sabe que os homens adoram bons rabos (gays incluídos). É por isso que as Levi?s 501 para mulher têm aquele gancho especial, que lhes arrebita as duas nádegas rechonchudas como nenhuma outra calça no mercado (passo a pub.).
Agora chega-nos a questão: e as mulheres!?
As mulheres têm apenas um sítio para onde olhar e despoletarem os seus mais íntimos desejos sexuais, carnais, animalescos?
Mais: que fez a história do vestuário, de forma relevante, para culmatar esta falha e saciar-lhes esse tão escasso recurso!?
Não admira que as mulheres passem a vida a dizer que a primeira coisa que olham num homem são as mãos, os olhos ou os sapatos! Não têm outro remédio! Até na Grécia e Roma antigas as mulheres tinham mais sorte, com aqueles saiotes que então os homens da época usavam.
Mas agora não. Tudo foi tomado de assalto pelo belo fato e gravata.
É preciso tomarmos medidas, meus caros colegas homens!
Urge sermos tolerantes e camaradas.
Se elas tão pomposamente quase nos revelam o melhor das suas formas, porque não fazemos nós o mesmo!?
Aceitam-se sugestões:
-Calças transparentes?
-Gancho mais apertado?
-...
Falem, FALEM!
CORES
Porque é que dizemos cor-de-laranja? Cor-de-limão? Cor-de-pêssego?...
Porque é que para tantas cores usamos as frutas e até os legumes como referência?
Veja-se, por exemplo, o caso do verde!
-Verde lima
-Verde pistaccio
-Verde alface
-...
E porque é que não somos mais coerentes e fazemos isto para todas as cores e tonalidades, em vez de nos andarmos a baralhar por completo?
Vejamos, por exemplo, como simplificar o nosso mundo de forma radical:
-em vez de amarelo, diríamos "cor-de-banana"
-em vez de preto, diríamos "cor-das-uvas-à-noite"
-em vez de vermelho, "cor-de-morango"
-em vez de escarlate, "cor-de-cereja"
E por aí adiante.
A minha única dúvida, e que me vai impedindo de apresentar esta ideia a alguém do governo, é apenas esta:
-o cinzento!
Mas que raio de fruta é que é cinzenta!?!?
A GUERRA DOS SEXXXOS
A guerra dos sexos!
Quando eu era puto e ouvi esta expressão pela primeira vez, já não era nenhum sonsinho, e sabia bem as formas privadas e secretas de uma mulher; daí que a expressão ?guerra dos sexos? assumisse, para mim, uma imagem mental obscena: uma pila elástica, em pé, a dar cabeçadas numa vagina que, por sua vez, tentava vencer agarrando e esganando o pénis dentro de si...
Horrível!
Hoje as coisas são diferentes.
Para mim.
Não para a sociedade.
Para a sociedade o que conta e contará são, e serão sempre, as guerras.
Hoje é a guerra no Iraque. Mas já foi no Afeganistão. Antes disso até já foi a guerra contra a fome. E contra a pobreza. Ou contra a sida. Hoje já se ouvem pouco? É mais a guerra contra o terrorismo. E quanto à guerra dos sexos... bem, isso então nem se fala! Caiu, redonda, no esquecimento público. Está latente. Está lá. Está por aí. Simplesmente não se fala nela.
Mas o que há de comum em todo este combustível de manchetes de Telejornal? O que há de comum em todas estas guerras!? Até na guerra dos sexos? Sobretudo na guerra dos sexos?
Ora, é óbvio: são as diferenças.
Neste caso dos sexos, a diferença está igualmente patente até aos menos observadores e menos lúcidos: uns, os homens, têm uma proeminência onde outros, as mulheres, têm uma concavidade. Parece-me bastante simples.
Mas o que há de mais interessante nas diferenças sexuais, são os temas de conversa. E já toda a gente os conhece:
Homens = futebol
Mulheres = moda
Homens = política
Mulheres = telenovelas
Estereótipos, estereótipos, estereótipos... Eu vivo na esperança de, um dia, estar sentado num café e ouvir duas mulheres:
-Tu viste-me aquilo ontem!?
-Se vi!
-Não achas que foi penalti!?
-Ora, então não foi!!!
?enquanto do outro lado teríamos dois homens:
-Ouve, sabias que a Renata vai casar com o Paulo Mendonça!
-Qual Renata!?
-A Renata! A filha do fazendeiro!
-Isso é em que novela?
-Na das sete?
-Ah! É que eu só vejo a da noite...
Detergentes! #2
Somos conservadores. Não politicamente falando, mas cultural e geneticamente. Somo-lo. E não vale a pena discutir.Veja-se o caso dos detergentes.
Já aqui falei deles. Mas não sobre as relações de poder entre nós e os detergentes. Porque as há! Sobretudo a nossa grande relutância em relação aos poderes dos detergentes... ou, talvez melhor, sobre os super-poderes dos detergentes.
Passo a explicar:
Somos obcecados pela limpeza. Por isso temos o detergente. Mas a dada altura da nossa existência teremos olhado para a bancada da cozinha e teremos pensado:
-Isto não é suficiente. Como é que eu posso ter a certeza de que isto está limpo!?
(obsessão!)
Vai daí, inventámos o anti-bacteriano.
Mas pelos vistos não foi suficiente.
E vai daí ainda inventámos o anti-calcário.
E como se tal não bastasse, hoje em dia, depois de aplicar estes três produtos, ainda teimamos (porque o seguro morreu de velho) em aplicar um paninho final, desses que têm um cheirinho jeitoso e ainda dizem que matam o que todos os outros não matam.
Mas o que é que acontece quando surge uma nova marca e diz:
"Agora não precisa de todos estes produtos! Chegou o Turbo-Clean! É 4 em 1 ! Com o Turbo-Clean, é uma limpeza!!"
Os mais inocentes pensariam que teríamos chegado ao fim, que aqui está a 9.ª Maravilha do Mundo.
Mas não.
Porque a maioria de nós vai a correr ao supermercado comprar o Turbo-Clean. Lutamos com a vizinha do 4.ºC pela última caixa e regressamos vitoriosos a casa. Aplicamos o produto num paninho como se se tratasse da mais rara poção milagrosa, como se quiséssemos poupar o tubo de forma a nunca terminar até ao fim dos nossos dias.
Mas eis que, quando menos se esperava, após duas ou três utilizações, se instala a dúvida:
-Será que isto é verdade?
-Como é que é possível este limpar o mesmo que os outros todos juntos?
-Parece-me um bocado demais...
-Eles devem ter alguma na manga...
-Então se eu esfregava a bancada quatro vezes, como é que agora só com uma isto fica bem!?
Resultado:
Após termos comprado o Turbo-Clean acabamos, inevitavelmente, por deitá-lo na bancada quatro vezes e esfregar as mesmas respectivas quatro vezes:
-Não é por nada... apenas por uma questão de precaução...
E não se estejam a rir. Vocês também já fizeram isto.
Detergentes!
Há uns séculos atrás, o mundo habitava um clima de horror, caos e tragédia. E não era para menos. Veja-se o temível acto de lavar as mãos.
Quase ninguém lavava as mãos.
Para quê?! Logo a seguir ficavam sujas! Podia-se até passar as mãos por água mas... onde limpar a seguir!? Às calças cobertas de pêlo de cavalo, ao cobertor pousado na carroça desde sempre...
Podem-se estar a rir desta afirmação, mas ela é fundada nas mais recentes e inovadoras teses sociológicas.
Perceba-se:
hoje faz sentido lavar as mãos; Depois de as lavarmos, tudo o que tocamos é limpo. A secretária de trabalho é limpa todos os dias com Ajax misturado com fungicida, as nossas roupas são lavadas todas as semanas com glutões infalíveis, temos sabão por todos os lados! A nossa existência é rodeada e definida por dezenas de produtos de limpeza. Até quando acabamos a refeição nos dão aquelas toalhitas húmidas com perfume de limão.
Mas há séculos atrás não era assim.
Convivia-se com a comunidade bacteriana de forma natural.
Quando alguém adoecia, paciência. Azar. Calhava a todos...
Hoje o mundo é um lugar muito diferente para viver.
Hoje sentimo-nos mais seguros.
Os países árabes podem planear atacar-nos com ogivas nucleares. Rajadas de mísseis terra-terra podem estar neste momento apontadas para nós. Todo o arsenal bélico dos fundamentalistas mais atrozes pode estar a ser reforçado. Isso não importa. Nós temos a Procter&Gamble! Nós temos a Lever! Nós temos um progresso científico imbatível no campo dos detergentes!
Eles podem-nos bombardear à vontade.
Que o façam.
Temos todo o tipo de detergentes possíveis e imaginários.
Atingimos o máximo no campo da segurança higiénica.
Podemos afirmar, inabaláveis, que estamos muito perto da imortalidade.
Esses malvados terroristas podem descarregar em cima das nossas cabeças a totalidade dos seus explosivos - não há problema: nós temos todos os meios necessários para limpar toda a porcaria que fizerem.
A primeira vez
Ficamos sempre tensos com a primeira vez. Seja do que for.
A primeira vez que fazemos o nó dos atacadores sozinhos.
A primeira vez que damos um beijo.
A primeira vez que conduzimos.
O primeiro dia de trabalho.
O primeiro encontro.
E claro: "A" primeira vez.
Mas porque é que nunca ficamos igualmente nervosos com a segunda vez? Ou com a terceira vez?!...
...digo-vos: alguém nos anda a meter minhocas na cabeça.
Protagonismo
De certeza que já viveram isto, de uma forma ou de outra - no trabalho, em casa, no vosso grupo de amigos:
- X, o que tens a dizer sobre isto, pá? Fala! Queremos todos ouvir o que tens a dizer!
O que se segue, regra geral, são momentos de balbúcia, nervosismo agudo e suor a escorrer de todos os poros...
...mas porquê?!?!
A resposta pode estar num ponto minúsculo e quase invisível, mas esclarecedoramente importante:
Porque no fundo, no fundo, todos estamos habituados ao segundo plano.
Estamos todos habituados a perder em quase tudo.
Façam as contas!
São milhares de candidatos à medalha de ouro da maratona, mas só um é o primeiro. São cerca de 30 alunos numa turma a lutar pelo pódium, mas só um é o melhor. São dezenas de capas de revista a serem impressas todas as semanas, e nós nunca vimos nelas...
Nós somos, para o melhor e para o pior: o zé-povinho, o common-man, somos a 'massa', o panorama geral.
São tantas as situações da vida em que nunca somos destaque que acabamos por nos habituar à ideia. Daí que, ao mais pequeno convite para sairmos da sombra e ficarmos debaixo dos holofotes da atenção geral, entramos em pânico. Admitam: não estamos habituados a tanto protagonismo. E de repente, quando a vida nos dá essa possibilidade, o nosso sistema nervoso entra em colapso.
Por isso, caros patrões: deixem-nos em paz.
Se nos querem dar protagonismo, por favor, não nos peçam para subir ao palanque, mas aumentem gigantemente o nosso ordenado.
...entrar no Banco e ter o gerente a estender-nos um tapete vermelho.
Esse sim! Esse é o tipo de protagonismo que todos nós ambicionamos.
Calvin & Hobbes #4
O "Público" voltou a ter disponíveis online as tiras do Calvin.
ACHO BEM!!!!
Já não era sem tempo...
Grrumpf...
A primeira vez
Pela primeira vez fui citado / referenciado num blog que não escrito por mim.
http://pongamosquehablodemadrid.blogspot.com/
Pôxa!
: O
Walden e os E.U.A.
Pelos vistos, o Bush ganhou mesmo.
Olho para este cenário e relembro o primeiro livro verdadeiramente americano que li: "Walden ou a vida nos bosques", de Thoreau.
Talvez, afinal, aquela América de que nós gostamos mesmo esteja só ali, escondida, relegada para o meio da mata. Talvez Shyamalan tenha dito tudo com "The Village"...
Alguém sabe de uma mata livre?
Portugoulag
Estou em Lagos. De camisola. De botas. Em Novembro. Na Pousada da Juventude. Estou rodeado de jovens estrangeiros. E estão todos, sem excepção, de chinelos de praia nos pés, de toalha ao ombro, ar relaxado e nada contraído... Estão na boa!
Mas o que é que esta gente faz aqui nesta altura do ano!?!?!
Não estudam!?!?
Estão desempregados!?!?
(...)
A minha teoria é que nos países deles, quando alguém se porta mal, inevitavelmente leva com a temível sentença:
-Von Braun... és um mau tipo! Vais por isso duas semanas para o Algarve, em Portugal! Vais ver o que é bom para a tosse. Toma! Leva isto: calções de banho, uma toalha de praia, t-shirts e uns chinelos. Agora põe-te a andar antes que eu te mande para a ilha da Madeira!
-Oh, não!...
Será que para eles Portugal é uma espécie de prisão? Um novo goulag!?
Não percebo...
gel para cabelo #2
O gel para o cabelo foi a maior invenção. Desde a roda, claro.
Antigamente, as pessoas usavam chapéus porque não havia maneira de controlar os cabelos rebeldes logo pela manhã; Não havia gel; era o caos. Mas gradualmente as empresas de cosmética e, conta-se, até o próprio departamento de R&D da América, se dedicaram a resolver este problema: -Como controlar o cabelo? Como deixar de usar os terríveis chapéus que nos atormentam há séculos!?
A História mostra-nos algumas soluções infelizes; na França de Louis XV as perucas foram uma das tentativas; cabelo falso para ocultar o feio e despenteado cabelo verdadeiro...
No Egipto antigo chegavam mesmo a rapar as tolas. Ideia daí em diante também adoptada pelas tropas por esse mundo fora. Não fosse um pequeno grande detalhe: o cabelo cresce, e rapar a careca todos os dias é tudo menos prático; vai daí surgiram imediatamente os capacetes...
É pois, por isso, que o mundo delirou e parou ao ver, finalmente, o nascimento da brilhantina!! Logo se seguiram cópias indevidas, como a aplicação do óleo Johnnson. Mas enfim, tudo faz parte do processo convulso que são as revoluções que mudam o mundo. Revoluções essas que, neste caso, por todo o rol de desenvolvimentos técnicos, vieram hoje desembocar no gel para o cabelo!
E foi assim, portanto, que deixámos de usar chapéus.
Regra #1 para poupar
Para poupar dinheiro é preciso uma base fundamental: SOBRAR dinheiro!
Acho que é esse o grande esquecimento de muita gente que comanda este país;
Coitados...
Esquecem-se!
Esquecem-se que os restantes mortais (nós) ganham parcamente e têm de pagar, com esse parcamente, ao contrário deles: as portagens, a gasolina, os seguros do carro, os almoços, e têm ainda de descontar para a segurança social e IRS sem hipótese de fuga. ah, e não tem ainda aquele subsídiozito que dá sempre jeito... sabem, aquele, o das "despesas de representação", que é porreiro para comprar uns fatos ou um Maurice Lacroix.
Enfim, uma chatice.
O problema fulcral, posto isto, é só um: dinheiro.
No tempo da troca de uma galinha por 20 pães nada disto era assim. Não senhor. Nesse tempo as coisas andavam controladas. O défice não explodia e as fugas ao fisco eram bem mais difíceis.
Mas esse tempo já lá vai. E isto de contar 'heróis' ao fim do mês - é difícil!, não é como a gente aprendeu no Monopólio...
tiras
Não tenho complexo nenhum em dizê-lo:
por mim, os jornais existiam meramente pelas tiras cómicas. Podiam imprimir apenas o nome do jornal na capa e deixar o resto em branco, desde que na última página viessem as tiras cómicas, a exuberante inteligência mordaz de uma piada, o traço simples num desenho e nas personagens que habituamos a nossa alma a cumprimentar todos os dias.
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