Simão

O Simão é um desses tipos que por aí anda. É um tipo. Certamente sabem do que falo. Anda por aí. Tão simplesmente.

Óculos 'à man' a cobrir os olhos e parte da testa. Diariamente apurando o corte das patilhas mas não aplicando o mesmo zelo à barba, de dois ou três dias...

O Simão diz-me, não raras vezes, que ele irá mudar o mundo.
Diz que "se não fizer nada na vida, o colapso financeiro acabará por estrangular o progresso capitalista e extinguir todos os dirigentes fascistas"...

Eu acho estranho ele dizer isto e ao mesmo tempo estar a bater com a ponta da faca no intervalo dos dedos da mão aberta, enquanto espuma da boca como se tivesse engolido cianeto. Mas nem é esta saliva exacerbada que me chateia. É mesmo o facto de ele insistir em recitar versos da Carmina Burana ao mesmo tempo. Porque aliar o comunismo radical a um desejo de auto-mutilação já é mau, mas ter o corpo a dar sinais de alergia e ainda assim regar de saliva quem por ali perto até um dia amou a composição de Carl Orff... isso já é demais.

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dúvida existencial?

afinal, se os vampiros não podem apanhar sol, como raio é que ficam morenos? não me digam que é do solário ou do novo auto-bronzeador da L'Óreal!?!

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Desculpe, importa-se de repetir?

Acho maravilhosa a última campanha de Marketing do Modelo e Continente, também apelidada de "0% de IVA".

Reza a dita que, no final, depois de pagarmos a nossa conta, é-nos dado um papelucho com o total de IVA que gastámos, papelucho esse que serve como nota de crédito para lá voltarmos e gastarmos em compras. É mais um desses estratagemas para passarmos a vida a gastar dinheiro, mas enfim...

...O bom, bom, esse bom mesmo, esse bonzarrão glutão e alarve nem é, para mim, o benefício monetário, mas sim o engrandecimento de 'conaissance', esse avultado Saber (com 's' grandalhão') que ganhei.

Pois com tal acção desperta-se a curiosidade de olhar para o papel e ficar a saber, afinal, que raio de produtos pagam 5, 12 e 21 por cento de IVA. E de que outra forma ficaria eu saber, ó meus amigos, que a Coca-Cola tem 5% de IVA (taxa mínima) e o Açúcar, esse mesmo, o pacote de um quilograma, tem IVA de 21% (taxa máxima)!?

Ah pois...
Vão lá ver, vão lá!
Eu já vi.
E sabem que mais, tem sido um forró lá em casa, a ferver coca-cola para depois desta evaporar rapar o fundo do tacho e recolher o belo do açúcar! Os bolos, esses, é que andam com um sabor esquisito e não ficam tão fofos...

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WAV, MP3, WMA...

Recebo na caixa de mail um presente - um belo de um attach!

Olho a extensão do ficheiro e reparo que se trata de um WAV - Uau!, penso eu - Vamos ter música. Mas por engano ou azelhice, ao abrir o ficheiro, reparo que a faixa tem apenas dez segundos de......... silêncio.

Contudo, deixando-a em loop, acabo enternecido por ela, embevecidamente levado por esses mesmos dez segundos de silêncio a tocar no Winamp sem cessar. E penso de novo, agora por fim: é a melhor experiência do mundo!

Agora, sempre que preciso de silêncio aqui no trabalho, é muito mais simples. Basta-me dar dois cliques na faixa e deixá-la tocar vezes sem conta para ter todo o silêncio do mundo. Ah!

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oba, oba!!!

está completa!
está completa!

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Serafim

Estive com o Serafim de novo. O Serafim (para quem não o conhece), acha-se o criador da palavra "objectivo". Já lhe falei de Barthes, da linguagem e dos signos, até dos Fenícios, mas ele não me liga nenhuma. Diz que foi ele quem inventou a palavra ?objectivo? e acabou-se.

Tem-me contado como tudo surgiu. Estava a comer uma pêra abacate com limão quando em pleno prolongamento do jogo da selecção nacional reparou que uma miúda estava no meio das bancadas a mostrar o peitoril...

...isto é o que ele diz. Cá para mim tudo se deve ao arroz de polvo, que o Serafim insiste em fazer com lulas. Mas enfim. Hoje o Serafim vai dar uma palestra na Fundação Calouste Gulbenkian.

Eles na Gulbenkian ainda não sabem. Mas ele vai lá.
Eu, por acaso e por azar, vou ter de ir entregar umas cassetes ao clube de vídeo. Senão, iria certamente ouvir o Serafim. Não há que perder a rara oportunidade de ver a discursar ao vivo o inventor do ?objectivo?. Mas, tal como o Serafim diz, o que é isso comparado com o tipo que inventou o clíster?

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é um instantinho...

...vou só ali casar-me e daqui a 15 dias já volto!

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Problemas, oh-oh!

O problema de não saber combinar as cores da roupa ou não saber vestir-se minimamente bem não tem origem daltónica nem económica. Nem mesmo nada a ver com excesso de sono acumulado.

O problema é mesmo termos de usar roupa.

Eu nunca vi um gajo nu desarranjado.
E ponho aqui a proposta: encontrem-me um gajo nu que esteja mal vestido e eu encontrar-vos-ei um milhão de euros!

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A magnífica espécie

O que não cansa de me espantar na nossa espécie é a imensa variedade de maneirismos e a incomensurável diferença de cada pessoa relativamente ao mais próximo, isto quando começamos a atentar nas suas particularidades.

Dirão alguns, eu incluído, que são precisamente essas magníficas particularidades que nos fazem apaixonar por alguém, não empatizar com outrem, adorar os jantares com mais uns quantos e abominar de morte quando tem de se ir visitar este ou aquele.

Talvez tudo, afinal, parta dessas minúsculas partículas individuais e únicas que nos definem a cada um de nós e nos tornam reconhecíveis e inconfundíveis aos olhos dos outros. Mesmo que depois não consigamos expressar por palavras certas o que de facto nos apaixona nessas pessoas e caiamos todos nas vulgares expressões de ?é um tipo muito porreiro? ou ?adoro conversar com ele?.

Enfim, talvez pareça uma simples reflexão com tanto de banal e vago como de filosófico. Mas tem vindo a ser, para mim (se é que ?mim? interessa ou interessará alguma coisa para a história dos homens algum dia) um ponto assente na ordem dos trabalhos de cada dia, com minutos mágicos dedicados à observação atenta, nunca sem um sorriso, dessas preciosas manifestações emocionais e físicas das pessoas, nessa espécie de B.I. subtil e iniludível que me apraz descobrir e registar.
Vá-se lá saber porquê.

O meu psiquiatra diz que eu não ando lá muito bem... mas também com uma perna coxa isso nunca será fácil, certo?

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lotto

alguém sabe a chave do totoloto para esta semana?
se souberem, por favor digam-me, ok?

obrigado.

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Messenger

Conheci há poucos dias um tipo que tinha 150 contactos no messenger. Leram bem. 150.

O que eu creio ser fabuloso numa situação como esta (e creio também ser essa a razão para ele ter tanta gente adicionada) é o subtil e delicodoce prazer de ter de sacrificar pessoas de cada vez que quer adicionar uma pessoa nova.

Como será que ele faz? Enviará um mail a todos os contactos a dizer "Caros amigos, recebi uma proposta de uma amiga para que eu a adicione à minha lista de messenger. Como a mesma já está cheia, significa que um de vocês terá de ir embora. Por isso, nas próximas 24 horas estou receptivo a propostas monetárias para os que quiserem manter-se na minha lista. Para os que não o fizerem, o final, esse, será trágico..."

Maravilhoso.
A partir daqui, tudo será possível.

Sei lá. Quem sabe não passamos a fazer o mesmo com os contactos de telemóvel. Afinal, meus amigos, deve ser mesmo verdade que a fama e o ser-se famoso compensa. Isso e conhecer alguém que trabalhe na lavandaria mais próxima e nos faça descontos porreiros na lavagem a seco de tapetes.

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sim, sim...

estou vivo.
mas muito atrapalhado!

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Comida saudável

O meu tio Godofredo voltou a meter-se nos hambúrgueres sem sal nem mayonaise ou qualquer tipo de molho. Confesso que me sinto vexado. É como ser benfiquista e ter na família um irmão mais velho daltónico que tem por isso que ser à força do F.C. do Porto.

Não acho bem.

Numa sociedade onde todos teimamos enviesar e fugir aos conselhos sábios, onde sempre preferimos uma boa gordura, haver quem tão perto de nós nos chame para a saudável obsessão pela cautela parece-me, no mínimo, ultrajante.

Quem se julga ele para se pôr a comer assim? Acaso pensa que é mais que os outros? Qual é o problema de comer hambúrgueres mal passados, com ketchup e mayonaise, acompanhados de um pacote XL de batatas fritas?

Já andamos todos a falar mal dele pelas costas. Não é que sejamos cobardes. Ele é da família, porra! Se a maioria achar que está mal, nada nos impede de o sovar à vontade. É apenas porque temos pena dele. No fundo, as coisas nunca mais foram as mesmas desde que ele perdeu a sua colher preferida para comer iogurtes líquidos.

Mas isto de ter que aturar familiares terá também o seu limite. Ou isso ou qualquer dia ainda nos tira as rabanadas na ceia de Natal e as substitui por torradas com mel. E isso aí vai ser o bom e o bonito... Não me levem a mal. Nem a mim nem à restante malta que tem andado a falar destas coisas. O tio Godofredo até é boa pessoa. Mas tende a sê-lo menos quando temos visitas e insiste em andar descalço lá por casa.

O que tem uma coisa a ver com a outra? Ui! Isso nem eu me atrevo a perguntar. Mas não deve ser nada de bom...

Enfim. A verdade, no final de contas, é esta: a matemática sabe dos números e as rezas fazem-se sempre melhor ao final da tarde.

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Fiscal

O meu sonho de vingança laboral é um dia destes transformar-me num desses fiscais da Carris, de fato azul, gravata e camisa branca. Mas o sonho não inclui andar a pé e aos trambolhões pelos ditos Bus amarelos. Nada disso. O brilhante da ideia seria assumir essa função mas aqui, aqui mesmo, na empresa!

Ah, sim! Andar pelos corredores e vasculhar os gabinetes! Conferir cartões e indumentárias com o poder autoritário suficiente para pôr toda a gente em sentido e poder mandar para a recepção com uma multazinha quem não traga meia branca ou tenha a foto do cartão da empresa com riscos; isto já para não falar em erros ortográficos! Olé! Isso é que seria o bom e o bonito! Seria, seria!

-Ó faxavôr! O Senhor por acaso sabe que tem Técnico Administractivo mal escrito, não sabe? É que não leva ?c?... Pois é... Parece que temos aqui uma situaçãozinha muito chata. Temos, temos... Pois fique agora a saber que vamos ter de lhe passar uma multazinha; vão ser menos 15% do ordenado este mês...

Ah!
Sim!
Uma posições de terror absoluto!
Ah! Ah! Ah!(leia-se isto com riso maquiavélico e esgar tresloucado a caminho do sanatório)


PS: porque é que as pessoas com cargos de declarado poder abusivo sempre tratam as coisas pelos diminutivos? Situaçãozinha... multazinha... No mínimo: estranho.

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porquê?

porquê "sumo pontífice" e não "coca-cola pontífice"?
ou simplesmente "sandes pontífice"?

não percebo...

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Como nasceram os telemóveis

Já toda a gente sabe que foi na Finlândia que nasceram os telemóveis, mas ninguém sabe porquê.

Ora bem, na Finlândia, quer dizer... a ideia nasceu na Finlândia, pois claro, mas o primeiro telemóvel foi feito no Japão, está claro! Só que foi na Finlândia que o senhor Hamikazi, japonês de gema e clara, teve a brilhante ideia.

Como sabem, na Finlândia é noite durante metade do ano. E eis que uma noite o senhor Hamikazi acorda com o toque do telefone, e sem ver peva passa metade do quarto aos trambolhões. É então que ele se lembra de criar uma lanterna portátil. Mas lembra-se também que ninguém anda com uma lanterna na mala por prazer ou para quando falta a luz. Esta lanterna teria de ter alguma utilidade. Podia, por exemplo, ter uma agenda telefónica...

Ora bem, daqui ao conceito de um telefone portátil com um ecrã, foi um saltinho. O que para um japonês não é nada difícil. E foi assim que os telemóveis nasceram. Na Finlândia, pois claro. Essa terra de grandes chouriços de bode azul e vacas malhadas de cor-de-rosa. Ah, Finlândia! Finlândia!... Quem não conhece as belas mulatas da Finlândia...

Esses japoneses! Sabem mais do que aparentam, os sacanitas!

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comic-strip&tease #17

-Marcelo Rebelo de Sousa afirmou que a Casa da Música no Porto teve uma grande derrapagem orçamental, que ainda falta um fosso para a orquestra, um plano a longo prazo, muitas obras, acessos parta os deficientes e que foram cometidas bastantes injustiças a muitas pessoas. Mas, tirando isso, estamos todos de parabéns.
-Imagino o que seria preciso para não estarmos...

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Torneiras auto-reguladoras

O que eu adoro esta invenção!para além da questão ecológica e da poupança, é mesmo a parte da fantasia que me interessa.
Sabem do que eu estou a falar, certo?
Este tipo de torneiras refere-se às que são usadas nas casas-de-banho públicas, onde a gente dá uma leve pancadinha e elas ali ficam, a jorrar água, mas apenas por um breve período de tempo, fechando logo de seguida o jacto de água fria com que tanto nos apraz lavar as mãos no Inverno.

Mas há uma situação fantástica, no que refere a estas torneiras, e que é o mundo de fantasia que nos despertam.

É que a maioria delas são programadas por técnicos da CIA.
Nem mais.

Os senhores da Roca ou da Gröhe ali vão instalar as ditas torneiras, mas depois a programação do tempo necessário à lavagem das mãos, isso, aí, já é da competência da CIA.

E é fantástico!
A maioria desses técnicos treina-nos então para uma missão quase impossível: lavar as duas mãozitas em apenas 10 segundos!

É fabuloso!
Podemos imaginar-nos então como um agente infiltrado, que chegou ao cerne da caixa-forte do inimigo e tem apenas 10 segundos para entrar no cofre, roubar o busto milagroso e sair dali incólume e indetectado.

Se nas primeiras tentativas ficamos com as mãos cheias de sabão e espuma e temos de recorrer à leve pancadinha mais uma ou duas vezes, com o tempo aperfeiçoamo-nos e tornamo-nos agentes da CIA profissionalíssimos! 10 segundos tornam-se então uma eternidade! Porque já fazemos aquilo em 5 ou até mesmo 4 segundos!

É, de facto, maravilhoso.
O meu recorde pessoal são 3 segundos e 44 centésimos. Mas não vos vou aqui revelar como... Isso são segredos da profissão.

Contudo, deixo-vos os meus votos de confiança. Persistam, amigos! Continuem a persistir! Vão ver que conseguem!

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(cont.)The end, my friend

E se vocês fossem fruta? Como preferiam acabar os vossos dias?

É que reparem: de facto, a fruta não tem grandes alternativas.
Não tem mesmo.
Senão, vejamos em detalhe as formas infelizes e dolorosas de terminar os seus dias como peça de fruta:

A) esmagamento- a dita e rechonchuda laranja é lançada para uma maquineta qualquer que a pisa e espreme até ao mais pequeno gomo, até à mais pequenina fibra, até que nem uma só gota de vitamina C mais saia dela; o processo reporta-nos aos mais cruéis actos de tortura que o homem, e só o homem, é capaz de infligir.

B) apodrecimento- o mesmo é dizer que ninguém gosta de nós e somos vetados ao esquecimento; ali ficamos, depois de uma vida inteira dedicada a crescer, inchar e formar-se o corpo em pleno, ali ficamos depois pendurados, numa espera interminável, qual Romeu desesperado, a ver as mãos chegarem e partirem sem nunca nos escolherem; até ao dia, esse dia fatídico em que caímos do ramo, velhos, moles, a casca a acusar já bolores invasores, e mesmo depois dessa queda dolorosa e desse choque com o solo, ali ficamos, eternamente, a ser devorados pelas bactérias, pelos insectos, lentamente a morrer e a ser consumidos pela terra, em total e completa agonia silenciosa...

C) trituração- imaginem-se uma banana, amarela, viçosa, longa, macia... agora imaginem cair numa plataforma que vos leva num suave tremelique por um breve passeio, e depois, bem, depois é o que já se sabe ? quatro ou cinco hélices do aço mais afiado que há a girar, onde vocês cairão e serão completamente desfeitos em pedaços, desde a fímbria da vossa casca fibrosa ao mais delicado, dócil e lamacento corpo de banana madura...

D) mastigada- (igual à trituração, só que pelo caminho seríamos temperados, regados e depois o acto de nos desfazer seria gradual, lento e doloroso, com a agravante de termos de levar com o hálito pestilento de alguém).


Haverá certamente muitas outras formas de acabar como as peças de fruta. Haverá certamente ainda o caminho da faca, os ácidos, ou, simplesmente, ser enterrada viva, apenas porque se faz parte de um excesso de produção...

Seja como for, meus amigos, quanto a vocês não sei, mas eu, se fosse ser vivo sem cérebro, preferia muita coisa; menos ser fruta.

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Concentrados


Caramba, corrijam-me se estiver errado, mas... se a malta apregoa por aí que os champôs com concentrados de frutos é que lavam bem, porque é que não esquecemos os champôs de uma vez por todas e passamos simplesmente a lavar o cabelo com umas quantas maçãs ou uns gomos de tangerina!?

A sério.
Qual é o grande problema?
Partamos logo para a raiz do problema. Usemos o sabão Claro para tirar a gordura e depois façamos um batido de banana com morango e despejemos tudo em cima da guedelha. Ficaremos muito mais bem servidos. E acabamos por contribuir para o crescimento dos pomares. O que é excelente. Sobretudo com tanta fruta por aí a estragar-se.

Outras coisas que eu acho piada nos concentrados de fruta são:-o que é o concentrado?-como é que se obtém o concentrado?

Será que a explicação lógica e simplista resolve o dilema? Será que algures, no país, há fábricas onde a malta esmaga a fruta e depois aperta o sumo todo muito bem apertadinho e o vende assim, em garrafinhas sob pressão, para fazer sumos e champôs?

(cont.)

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A culinária

A vantagem de ver um bom prato de pernil assado no forno na televisão é que o raio do ecrã sempre amplia o brilho natural daquele suco de molho que escorre pela carne e nos deixa a salivar.

Ao natural nunca é assim. É o cheiro que nos dá cabo do estômago, e sobretudo da dieta. Mas na televisão é essa cor ampliada, esse brilho puxado dez vezes acima e, sobretudo, essa transformação em fruto proibido e tão apetecido, tão distante, tão longe...

Aposto que, se de cada vez que algum cozinheiro fizesse um desses pratos suculentos na Tv logo colocassem um número de telefone para comprar imediatamente o repasto, seriam imediatamente inundados por milhares de espectadores esfomeados, famintos, vorazes e capazes de dar mais de 100 contos pelo privilégio de ir a correr meter o dente num belo bacalhau no forno com batatas a murro!

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Mulheres e Homens

Para as mulheres, em geral, no acto de fazer compras o principal nem é mesmo comprar, mas sobretudo levar a melhor avante sobre as outras mulheres, isto no que diz respeito a levar em primeiríssima mão esta ou aquela peça de roupa que todas cobiçam.

E é exactamente o mesmo que acontece relativamente a outro assunto: homens. O importante é ver quem é a primeira a conseguir conquistar este ou aquele tipo. E isto é também como na roupa, vai por modas; Hoje a tendência são as calças brancas e o Bernardo Moreira, mas amanhã já pode ser que todas queiram camisas de manga ¾ azuis, bem como o Luís Vasconcelos.

Por isso, Bernardo, aproveita agora que todas te querem, pois daqui a uns meses és mais um de nós, simples peças de roupa para o dia a dia, deixadas em cima das mesas depois de nos experimentarem, usados sem cuidado, passados com o ferro muito quente, postos na máquina de lavar sem amaciador, finalmente deixados na gaveta de baixo e empurrados bem lá para o fundo...

Sniff...sniff...

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Homens!

O mundo encontra-se dividido em dois tipos de homens: os que andam com os polegares pendurados nos bolsos e os que não andam.

É assim mesmo que as mulheres os identificam e escolhem. Hão-de reparar nisso, quando puderem.

Porque de facto, entre nós, homens, não temos grandes diferenças. Somos todos iguais. Retirando esse pequeno detalhe, nada mais há a assinalar que nos distinga.

Se vocês, homens, fossem mulheres, saberiam já disto há muito tempo. Para elas, está tudo dito. O vosso destino está traçado. O vosso perfil inteiramente definido. E nada há que possam fazer para inverter a situação.

Por isso amigos, façam uma de duas coisas:
-cortem os polegares
-ou comprem iogurtes magros


(a segunda opção nada resolve, mas é uma dica saudável)

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comic-strip&tease #16

-Diz-se que está escrito que o Papa João Paulo II é o penúltimo papa, até chegarmos ao apocalipse.
-A sério? Quer dizer que o próximo papa será o último antes do caos, da desordem e do fim do mundo?
-Sim.
-Bom... espero que escolham alguém bem novo.

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O NHACK

( para a I. )

Dizem que atropelar gatos ou sapos na estrada dá azar. Eu acredito. Sobretudo para os próprios gatos e sapos. Mas há outro animal ainda mais azarado. E não falo aqui desse tipo com sinal verrugoso na bochecha e que aparece em todas as fotos onde há uma camisola do F.C. Porto. Falo mesmo do Nhack.

O Nhack é um animal extremamente curioso, apenas existente nalgumas estepes da Islândia (esse país quente, seco e tropical, onde podemos fazer ski na areia e usar gravatas sem nó - para além de ser o único país no mundo onde não é necessário ter dentes de ouro para afirmar fortuna).

Ora toda a gente sabe que uma das maiores injustiças nesta terra é o Nhack não ser a mascote oficial da Islândia. Essa honra pertence, desde inícios da década de 50, a um outro animal, porventura muito menos distinto e portentoso. Falo, pois claro, do Nheck.

Mas é de facto ao Nhack que a Islândia deve muito do que é hoje. Ou não tivesse sido o Nhack, por exemplo, o primeiro animal a ter um da sua espécie a treinar uma equipa de futebol na Ásia.

O Nhack é ainda facilmente identificável por ser um bicho que usa sempre alfinete de gravata. Tem um caminhar parvo e tosco, é verdade, mas é também óptimo quando caçado no Outono e servido assado com batatinhas e grelos; não deve, contudo, ser acompanhado de vinho Alentejano, por causa da adstringência e da extrema azia que a combinação acarreta.

Para além de todos estes factos curiosíssimos e fascinantes, mesmo para quem nunca viu um Nhack, temos ainda o seu extremo contributo para a saúde pública, uma vez que o convívio diário com o Nhack baixa radicalmente o nível de glicose no sangue, ajuda a baixar tensões altas e previne o aparecimento de cera nos ouvidos.

Não deixem, por isso, de pesquisar sobre este bicho singular, tosco mas igualmente elegante. Se puderem, dêem um pulo anual à Islândia, em Maio, para observarem esse espectáculo único que é o acasalamento entre Nhacks, uma cerimónia onde Nhack-macho e Nhack-fêmea trocam autocolantes do mundial do México 86 e onde no fim ambos terminam a recitar as teorias de Karl Popper, Malebranche e os primeiros grandes êxitos dos Abba.

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Botõezinhos


Há um desejo que me persegue desde criança.
Estão a ver aqueles estúdios de gravação de música, com aquelas mesas de mistura gigantes, cheias de botões por todo o lado? E já viram certamente aqueles documentários ou videoclips em que os técnicos de som e o produtor passam horas a acertar os níveis exactos para cada entrada de som, certo?

O que eu adorava era, no final do dia de um desses senhores, num desses dias em que desesperaram para encontrar a posição certinha para cada um desses botões, ir lá e tirar tudo da posição; um por um, ir a cada botãozinho e remexê-lo, baralhá-lo, subi-lo ou descê-lo até no fim não restar mais nada que uma amálgama de confusão e caos!

Ah!... Doce desejo nato de destruição massiva...

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DJ's

Não sei se já se aperceberam, mas os DJ's não estão ali a fazer grande coisa.
Eles merecem todos os cêntimos que lhes pagam. Disso não há dúvida. Mas aquela presença nas discotecas é puro espectáculo. O trabalho já vem feito de casa. Ou vocês achavam que eles estavam mesmo ali a mexer naqueles botões todos?

Oh!
Desculpem-me ter-vos despedaçado os corações...

Por favor! Não me venham com essa!
E ainda por cima virem-nos com aquela onda cheia de estilo e ter apenas metade dos headphones nas orelhas!? Treta! Mas pensam que enganam quem!? Então com aquela barulheira toda à volta e estão à espera de nos convencer que só tendo um ouvido lá conseguem ouvir alguma coisa!?
Nem pensar nisso!

E quanto aos botões: é tudo show-off. Aquilo não faz nada! Nadinha! Nicles. Zero. É só para mexerem alguma coisa em vez de estarem o tempo todo parados. Tudo playback, malta. É como os discos de vinil - - Então alguém lá acredita que aqueles efeitos se fazem a puxar os discos de vinil para trás e para a frente!? Isso é que era bom! Ficava logo tudo riscadinho. Era a mesma coisa que passar um scotch-brite por cima do disco! Ora vão lá para vossas casas experimentar e vejam o que vos acontece... Não vão? Pois claro que não vão. Não vão porque já nem há leitores de vinil e muito menos os álbuns hoje são editados em vinil. Eu até posso contar aqui uma vez em que não estava virado para o engate e me meti a ver o DJ, e posso-vos assegurar que pelo menos dois discos de vinil que por ali passaram por aquelas mãos eram, um, do Tony de Matos, e outro uma compilação de Natal com os melhores temas para crianças cantados pela Tonicha.

Esqueçam tudo aquilo, malta.
Só espectáculo.
Já vem tudo feitinho de casa.

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Antenas de automóvel

Então é assim, vou ser curto e grosso:

A única explicação possível, racional e lógica que encontro para esclarecer o contínuo roubo de antenas de rádio dos automóveis é esta: há por aí pelo país muito marido e muita esposa que adora dar ou levar uma boa vergastada!, tanto que é com alguma frequência que as ditas se gastam, partem ou amolecem, ao ponto de ser sempre preciso ir roubar mais uma!

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Velho, eu!?


Percebemos que estamos a ficar velhos quando temos dois miúdos a sair de um elevador em plena algazarra por causa de uma bola de futebol e, ao passarem por nós, um deles adverte com a singela e simpática frase:

-Desculpe lá, senhor...

(!)

Meus, posso-vos dizer uma coisa, de homem para homem?
-Eu tenho 26 anos!!!!! Por favor! Não me queiram já atirar para o divã de um qualquer psicanalista marado dos cornos que só me quer é chular 50 euros à hora!

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iniludível

[ graças ao Sedentário (ver links) hoje recordo uma palavra que não escutava nem lembrava há muito, muito tempo...]

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De 24 para 25...

A noite de 24 de Dezembro para 25 é a noite mais negra para a música. Acreditem nisto que vos digo. Eu não estou errado. E se pensarem por 10 segundos, também vocês perceberão imediatamente porquê.

É que ocorre nessa noite o fenómeno incomensuravelmente doloroso da oferta de milhares, senão mesmo milhões por esse mundo fora, de péssimos CD?s, contendo péssimas compilações, horríveis best of?s e ainda arrepiantes versões de músicas que até então estavam imaculadas, perfeitas e cintilantes nas suas versões originais.

E isto é assim desde há décadas!
Meu Deus...
Será que ninguém pode parar isto!?

Já tenho visto, inclusive, algumas pessoas abrirem uma janela e porem uma vela acesa no parapeito, junto com um CD. Mas não acredito que isso baste. Precisamos unir-nos. Precisamos despir-nos e irmos para as ruas, nus, e envergarmos cartazes ao estilo PETA que reivindiquem o bom respeito pela música e o não abuso no mês de Natal por temas que nos são por demais queridos.

É que depois de ver os Clash ultrajadamente reenquadrados numa versão pan-pipe e depois de ouvir um álbum inteiro do Bob Dylan em versão-kenny-g-romântico-doce-que-até-enjoa, sinceramente, acho que cheguei ao cúmulo da minha paciência.

Quem quer vir para a Baixa em pelota?

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comic-strip&tease #15

-Adoro ouvir as cotações dos mercados bolsistas.
-Porquê, percebes alguma coisa disso?
-Não. Mas por vezes é preferível uma realidade abstracta aos nossos olhos do que uma realidade visível nos nossos bolsos.

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Daltonismo

O daltonismo é dessas falhas humanas que são aparentemente menores mas que poderiam causar graves problemas, não fosse a extrema atenção da Mãe Natureza.
Veja-se o caso dos casais.

O daltonismo dá-se, maioritariamente, nos homens. E dá-se sobretudo na incapacidade de reconhecer o vermelho e/ou o verde.

E porque é que isto é assim?
Muito fácil.
Eu não sou médico, mas já há algum tempo que percebi tudo.
Trata-se de uma questão que é respondida pela teoria Darwinista.

É que noutros tempos que já lá vão, as coisas não eram como hoje. O daltonismo abrangia todo e qualquer tipo de cor. Ia da incapacidade de ver o vermelho ao verde, ao azul, ao amarelo, ao lilás, ao preto... Enfim, todo o espectro de cores. O problema é que esses infelizes homens daltónicos desapareceram, foram apagados da face da Terra, dizimados. E ponto final. E a explicação está nas suas mulheres. Pois como poderia sobreviver um homem que nunca conseguisse acertar à pergunta feita pela sua mulher:
- Se me amas tanto então diz-me de que cor são os meus olhos!

Percebam isto: todos somos humanos e erramos uma vez por outra. Mas falhar a cor dos olhos da nossa mulher quando temos as nossas pálpebras abertas e ela está mesmo à nossa frente, é tudo menos conveniente. Sobretudo se ela tiver na mão um rolo da massa...

É por isso que, hoje, apenas os daltónicos com incapacidade de ver o vermelho e verde sobrevivem ainda. Afinal, se poucas mulheres há que tenham os olhos verdes, digam-me vocês quantas conhecem que têm os olhos vermelhos!? Para além dos vampiros vossos amigos, claro.

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Pisca-Pisca


É minha grande convicção que no nosso mais profundo ser, todos nós, sem excepção, nos achamos fanáticos por James Bond.

Veja-se o caso das luzes pisca-pisca nos automóveis.

Quem é que faz pisca nas nossas estradas?!?
Ninguém.
Ali seguimos nós a conduzir, tranquilamente, e à frente segue um qualquer Ford ou Volkswagen que de repente, ZUFFF!, já lá não está!
Uau!
Que Houdini!
Nem sequer nos avisou!
Desapareceu sem rasto!

E isto sucede assim todos os dias. Com milhares de condutores por esse país fora.

Lidamos desta forma com os piscas porque adoramos pregar partidas. Como se fôssemos ninjas. E mesmo quando viajamos com alguém ao lado que nos está a ensinar o caminho, a coisa processa-se mais ou menos assim:
-Ok, agora vais em frente e ali ao fundo viras à direita. (tempo... pausa...) Então? Não fazes pisca?
-Schiuu! Quero fazer uma surpresa ao gajo que vem atrás!


Mas esta nossa obsessão (por um lado) e despreocupação (por outro) em não usar os piscas do carro sucede ainda noutro caso, que é quando alguém nos incumbe de guiar toda a gente a um restaurante que ninguém conhece; ou, mais ainda, quando vamos em romaria desde a casa da noiva até à capela que ninguém sabe onde fica. Ali estamos nós, na dianteira, reis, lordes, caminhando sem vagar, à vontade, livres, heróis, sem nos preocuparmos em fazer qualquer pisca. E é precisamente por este excesso de confiança que, década a década, os noivos foram introduzindo mapas de estrada para os convidados darem com o sítio do repasto. E foi mais precisamente desde o aparecimento do automóvel e do não uso dos piscas que as noivas passaram a ser as últimas a chegar à igreja. Pois quando só havia carroças isto não acontecia. Mas agora, com os carros, e sem uso dos piscas, e indo elas no fim da fila, é lógico que as probabilidades de se perderem pelo caminho são enormes.

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para ler


"O problema de fundo do país é uma invulgar capacidade de não estar no mundo. As coisas não têm consequências e o estrangeiro é uma espécie de curiosidade. Tendo-nos feito de costas para Espanha, fomos excluindo-nos do mundo. Em Portugal está-se assim: ou cá ou lá, em Portugal ou no estrangeiro, não nos dois lados. Ganhar o troféu da SIC, da TVI ou do Eles e Elas é muito mais importante do que qualquer prémio Nobel."

by Fernando Ilharco, in Público


É mais do mesmo, mas com uns toques mais.

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não é escrever pouco...

o problema nos últimos dias não tem sido escrever pouco, mas trabalhar muito.
mis perdonnes a los diarios avidos lectores. remetan sus criticas a mi chefito!

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teoria quase certa

alguém que me confirme porque razão depois da malta se casar e ser pai de família acelera e afinca ainda mais na sua dependência e paixão assolapada pelo futebol...

não vos parece?
lá chegareis, petizes pupilos... lá chegareis...

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mulher-a-dias

a lavar-nos os vidros das ideias todos os dias.
aqui mesmo!

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3 pastelinhos, pá!

São os 3 Pastelinhos.
PASTELINHOS!
São gajos conhecidos - de longe, como de perto.
São porreiros.
Valem a pena uma visita diária.
Ó pá, se valem!

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bons e maus

ou melhor, só coisas boas!
Eu já lá fui.
E tu?

bonecada !!!!!!!!!!!!!!!

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zombies... nherg!

os zombies também podem ser interessantes.
ora quem duvida dê um pulo AQUI.

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comic-strip&tease #14

-Li no jornal que nos últimos 5 anos o consumo de medicamentos anti-depressivos em Portugal subiu cerca de 45%!
-Xiii! Não sabia que havia assim tantos benfiquistas.

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Dilemas

Os dilemas são um stand repleto de estados psicológicos tramados.

O último dilema que me aconteceu ainda hoje tem bem vivas as chagas de um multi-raciocínio esforçado que precisei executar para o exterminar.

Veja-se: ali estava eu, numa manhã qualquer, supra-constipado, e eis senão quando, ao sair de casa, vejo que nem tudo me cabe na sacola.

"MISÉRIA!"

E porquê "miséria!"? Quais eram então as opções?...
Poucas, muito poucas... Tão poucas que ao fim de escassos segundos percebi não me restarem grandes alternativas. Ou deixava para trás vários volumes pequenos, ou resolvia tudo ao deixar para trás um grande volume; o grande volume era nem mais nem menos que o livro que estou a ler.

Senti o que sente um general a comandar as suas tropas e o destino dos seus homens. A opção era: ou deixava ficar em casa o livro do W. G. Sebald ou 5 pacotes de lenços de papel Renova.
Parece incrível.
Mas sim.
Isto foi um dilema.
E pior.
Eu optei pelos lenços de papel!

Eu quero acreditar que tal decisão se deveu ao pânico. Ou então à razão de não querer arriscar e poder vir a encher de gosma ranhenta as páginas de um livro tão bom. Mas na realidade acho que foi, simplesmente, mais um sinal da mãe natureza a acenar e dizer-me como somos, ainda, tão infantilmente primários.

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O Começo do Mundo


O começo do mundo toda a gente o conhece. Ou quase. E é para esses que ?quase?, que aqui venho explicar os meandros passados e remotos e insondáveis de uma génese em tudo misteriosa e única. Porque tudo se resume, afinal, a essa pergunta: ?como chegámos até aqui??

Bom, no início era o caos.
Era, de facto.
À superfície havia apenas campos de golfe sem rega automática, pelo que um bom quinhão da escassa população passava grande parte da sua curta esperança média de vida na rega. A outra... Ah, a outra parte da população, essa, esganava-se na caça aos flamingos. Isto porque, como bem se sabe, o pescoço do flamingo (e especialmente o seu bico proeminente e robusto) ainda hoje são a melhor arma de arremesso de bolas de golfe que há.

Depois veio a Sprite.
Com isto, a malta então acalmou os ânimos. Mas esse período pouco durou na Terra, pois logo isso gerou também a divisão das populações naquilo que comummente é conhecido no meio científico como Período Spratista. É que com a Sprite logo surgiu o Pepsi Challenge, e com ele voltou também o caos geral. Deu-se a guerra civil na América, por causa da malta do Norte (adepta da 7-Up e da Coca-Cola) e da malta do sul (mais virada para a Sprite e a Pepsi), e por todo o mundo as mulheres suspiravam. Nas mesas havia apenas vinho, água e sumos de fruta. Os primeiros partidos políticos estavam ainda a ser criados, mais precisamente no Bangladesh, e só no final da guerra os homens deixaram de ter piolhos e carraças.

Mas a guerra acabou, finalmente. E com isso surgiu, de forma lógica, o primeiro Casino. Não em Las Vegas, mas em Santa Comba Dão. Foi então que um empresário português, de Braga, assaltante do Casino, se pirou para Las Vegas e aí firmou pé e o primeiro Casino. Com ele vieram então as grandes revoluções tecnológicas do nosso tempo: o polegar oponente, a testa menos alongada e até a máquina a vapor, devido aos inúmeros pedidos pela malta ricalhaça por um Spa decente.

Enfim.

O mundo tornou-se ainda mais inóspito, e com ele vieram as empresas de seguros. Surgiu a primeira cadeia de lingerie erótica. A população terrestre aumentou num ápice. Os balões substituíram os cavalos, que depois foram substituídos, como se sabe, pelos patins em linha, e hoje o mundo é o que todos sabemos. Povoado por anões, duendes, máquinas de passar a ferro portáteis e todo um conjunto de tecidos e padrões para gravatas.

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ao senhor do STAPE...

...ao senhor do STAPE que encontrou um boletim de voto com um barco pirata desenhado, ele é meu. Se mo quiser mandar, fico-lhe eternamente agradecido. Já há algum tempo que não desenhava um barco pirata tão bom e em tão pouco tempo.
Obrigado.

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Políticos

Será que ainda ninguém percebeu que os políticos se vestem todos no mesmo alfaiate!?

É completamente verdade.
E até vos explico porque é que fazem isso.
Fazem-no para se precaver.

Pensem nisto um bocado. Vão ver que estou correcto.

Pensem comigo: Ali estão eles, hoje a comandar os destinos do país, o poder nas mãos, a caneta capaz de mudar milhares de futuros apenas por uma simples assinatura. E os políticos sabem disso. E também sabem que errar é humano. E que eles são humanos. Muito humanos, até. Que é o mesmo que dizer muito capazes de errar, e errar muito.

Assim, vestindo-se todos de mesma igual maneira, precavêm-se de num futuro mais ou menos próximo alguém os poder reconhecer e lhes vir pedir satisfações pela queda de uma ponte ou pelo colapso da segurança social. Ou por acaso acham possível encontrá-los por entre tal ardiloso disfarce?

-Não te lembras quem foi o político?
-Não estou a ver...
-Era aquele, de cabelo curto!
-Hum... Também não estou a ver...
-Ó pá, aquele! O de fato cinzento e gravata azul!
-Ah! Claro! Pois sim, então não se vê logo! Claramente: fato cinzento e gravata azul. Exacto. Já sei quem é!

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Shawshank Redemption

Será que se eu usasse, nem que por um dia apenas, uns sapatos camurça cor-de-rosa, alguém notaria?

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comic-strip&tease #12

-O PP critica o PS. O PS critica o PSD. A CDU critica o BE. O PSD critica o PS. E o BE critica o PP.
-Vê-se bem que estamos em pleno Dia dos Namorados.
-Como assim?
-São claras manifestações de "Quanto mais me bates mais eu gosto de ti"!

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comic-strip&tease #11

-Em plena campanha eleitoral e em pleno dia de S. Valentim, é bonito ver que, no fundo, todos os partidos discursam o mesmo...
-Como assim?
-"Tal como o coração, o que eu digo tem razões que a própria razão desconhece".

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Fiscal

O meu sonho de vingança laboral é um dia destes transformar-me num desses fiscais da Carris, de fato azul, gravata e camisa branca. Mas o sonho não inclui andar a pé e aos trambolhões pelos ditos Bus amarelos. Nada disso. O brilhante da ideia é que seria assumir essa função, mas aqui mesmo, na empresa!

Ah, sim! Andar pelos corredores e vasculhar os gabinetes! Conferir cartões e indumentárias com o poder autoritário suficiente para pôr toda a gente em sentido e poder mandar para a recepção com uma multazinha quem não traga meia branca ou tenha a foto do cartão da empresa com riscos; isto já para não falar em erros ortográficos! Olé! Isso é que seria o bom e o bonito! Seria, seria!

-Ó faxavôr! O Senhor por acaso sabe que tem Técnico Administractivo mal escrito, não sabe? É que não leva "c"... Pois é... Parece que temos aqui uma situaçãozinha muito chata. Temos, temos... Pois fique agora a saber que vamos ter de lhe passar uma multazinha de menos 15% do ordenado este mês...

Ah!
Sim!
Uma posições de terror absoluto!
Ah! Ah! Ah!(leia-se isto com riso maquiavélico e esgar tresloucado, a caminho do sanatório)


PS: porque é que as pessoas com cargos de declarado poder abusivo sempre tratam as coisas pelos diminutivos? Situaçãozinha... multazinha...
No mínimo: estranho.

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Salada de frutas

O mundo, hoje em dia, tal como o conhecemos, não é um local fácil para viver.

Veja-se o caso dos produtos de beleza. O que eram e o que são!
Antigamente, bastava um bocado de óleo de fritura e um bocado de soda e tínhamos imediatamente um esfoliante. Um simples sabão era já um artigo do mais refinado que havia. Mas hoje não. O mundo da cosmética evoluiu, e como! Basta ver como hoje todos os produtos de beleza, do bâton ao champô, do creme de dia à ampola semanal, todos cheiram a uma fruta qualquer. Aliás, até já os detergentes cheiram a uma fruta qualquer!

Saímos de casa e o chão do prédio cheira a limão. O cabelo da mulher que viaja à nossa frente no Metro cheira a rosas. Ao lado, uma senhora aplica um bâton de cieiro que cheira a maçãs verdes?

Porquê esta insistência nas frutas!? Haverá um excesso de produção nos pomares? Será este o único caminho a dar-lhes? E porque não pensam também nas pessoas que não toleram fruta? Apostem mais em nichos de mercado!

Seguindo esta lógica, poderíamos finalmente ter amaciadores com aroma de fiambre. Champôs com extracto de couve lombarda. Uma linha de cremes de rosto baseada nos melhores enchidos portugueses. Enfim, um mundo.

Com isto, podia ser que passássemos o dia todo tão enfartados que assim viéssemos a comer menos e a ser bem mais elegantes. Até podíamos patentear isto e sair do buraco financeiro em que estamos metidos! Criar marcas, franchises, cadeias de produção, representadas, lojas com 100 mil metros quadrados!...

Uau!

Lembrei-me agora: pasta de dentes que proporcionasse um agradável hálito a atum!
Fabuloso.

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40.000

o meu popó acaba de atingir os 40.000 quilómetros.
40.000 quilómetros, pá!
40.000!!!

alguém sabe se isto influi de alguma maneira na personalidade de uma pessoa?
bem, no ego da dita máquina acredito que sim.
mas ando indeciso... será que o meu popó terá saído da fase do armário, será que é um teen descomprometido ou já estará está apto para ir votar?...

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Bom-Dia


São 9:00h da manhã de quarta-feira e já subi um lanço de 18 escadas de dois em dois degraus.
Acabo de cumprir o exercício físico mínimo recomendado à minha pessoa.
Estou livre para o resto do dia.
Já posso fazer gazeta e esparramar-me no sofá a ler a Exame ou as piadolas das Selecções do Reader's Digest.

(A propósito, porque é que os gajos se chamam Reader's Digest? Tem alguma coisa a ver com "digerir a leitura" ou é impressão minha?)

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Número de contribuinte

Já todos o têm, certo?
Já?
Não?
Ah, pois! Claro que têm.
Todos o temos.
É o nosso número único. O nosso número de contribuinte.

Ali está ele. Na maior parte dos casos composto por 9 números. O nosso mui estimado e cuidado e guardado na carteira Número de Contribuinte. Ena! Todos temos outros números. Como o número de telefone. Ou de B.I. Ou de funcionário. De aluno. Enfim, números não faltam. Mas dizem-me que este é o mais importante. Este mesmo, o "número de contribuinte".

O que eu creio que uma grande parte das pessoas não nota, mas onde a designação ecuménica, desde logo, é explícita, é que este 'tal' número presume e pressupõe, sem margem para dúvidas, que nós vamos contribuir com alguma coisa.

A gente nasce. Cresce um pouco. E lá vem logo um agente infiltrado passar a informação aos pais de que "Ele já tem número de contribuinte? Não? Ah, é que ele tem de ter um número de contribuinte!"

É lixado.
Ficamos logo agarrados.
Ter-se um número de contribuinte é assinar um pacto com a morte das nossas poupanças. E eu fico pasmado quando não vejo ninguém falar nisto...

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Cartões / Vales oferta

No campo dos aniversários e afins, a grande dor de cabeça é, primeiramente, de quem tem de oferecer alguma coisa?
-o que é que ela precisa para a casa?
-será que ele prefere esta camisola azul ou esta camisola rosa-choque?


Mas há sempre um fim para este tormento. Na pior das hipóteses, compra-se um par de sandálias de bambu da Nova Zelândia e está feito.

Claro que, com isto, segue-se nova dor de cabeça. Desta feita, maior ? é a dor de cabeça de quem recebe uma coisa de que não precisa e não gosta. De todo. Ainda assim, a dita vítima engole em seco o orgulho e pronta e educadamente oferece um sorriso amarelo; seguem-se as típicas expressões "É giro, é giro..." e "Oh, não precisavas!..."; os convidados vão-se despedindo da festa que custou a penhora do casaco de castor da tia-avó Avelina e, no silêncio da noite, fica-se a olhar para o monte de presentes cuja inutilidade roça o tamanho do monte Fuji e cujo asco se assemelha aos géisers na Islândia (se é que há géisers na Islândia...).

Portanto, chegados a este ponto, nada mais podemos fazer do que suspirar.

Claro que as lojas já inventaram uma solução para o problema: os cartões / vales oferta. A pessoa compra um cartão dentro de 'x' valor e o aniversariante regressa depois à loja para, com esse cartão, comprar o que mais gostar. Contudo, as pessoas parecem preferir não dar ouvidos às lojas, e compram o que bem lhes apetece, obrigando toda a gente a regressar depois com ar de enjoo e pedir o valor da camisola, para então trocar por outra coisa qualquer. Não é cómodo. Mas é o que se pode arranjar.

Consequência: o nosso amigo compra-nos um par de luvas com pêlo de urtiga que nós depois trocamos por uma camisola de lã, deixando na loja mais ?15, o valor da diferença.

É por isso que eu acredito já ter descoberto todo o tortuoso esquema que rodeia estes cartões / vales de oferta; a coisa deve-se passar mais ou menos assim ? a malta chega-se ao gerente da loja e diz que vai comprar um presente para alguém; o gerente logo dirá que têm cartões e vales de oferta, mas que se levarem uma peça de roupa lhe fazem um desconto de 15%. O papalvos somos então nós, os aniversariantes, que dois dias depois ali estamos a devolver as luvas e a levar uma camisola para casa. Não admira que no fim de cada mês as lojas tenham então uma facturação abismal.

O truque para que isto funcione lindamente é este: luvas, cachecóis, gorros e meias horríveis - não há ser humano que resista. A partir daqui, ou se guardam as ditas luvas para oferecer a um desgraçado aniversariante um ano depois, ou a solução é mesmo despender algumas notas e trocar por algo melhor.

Conclusão final: quando fizerem anos, peçam para não vos oferecerem nada; da última vez, em trocas de prendas nas ditas lojas desembolsei, no final, uma bonita soma de 90 euros. Precisamente o dinheiro que tinha guardado para comprar toda a colecção de miniaturas de leques de Andorra da Altaya.

Não se faz.

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Palavras sábias

Quando alguém lhe perguntou qual deveria ser hoje, para a Europa e para os europeus, o projecto mobilizador da construção europeia, como antes foram o Mercado Único ou o euro, Lionel Jospin, antigo primeiro-ministro francês, não hesitou:
"A batalha pelo conhecimento e pelo progresso científico."

in Público 2002.02.03

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sexo à fartazana

incluo e inscrevo as palavras sexo, orgia, líbido, clítoris e ornitorrinco na esperança de quem as procure na web aqui vir parar.
se é o seu caso, ora pois bom-dia, seja bem-vindo.
you're on candid camera!

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morreu Ivan Noble

um homem de coragem.
podem ler um poucochinho dele aqui, no Público.
daqui seguem 3 linhas de silêncio



.

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Calvin & Hobbes #5

vai para mais de uma semana que o Público online não disponibiliza as tiras do Calvin.
isto está bonito, está!
está, está!

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Como surgiu a...

Antigamente, as pessoas não precisavam de decorar as casas. Vivíamos em cavernas e pronto. Era o tempo do básico. A era da simplicidade. Um período cujos reinantes se apelidavam de ascetismo e limpidez. Mas nada dura para sempre. E houve de facto um acontecimento que veio alterar o curso normal das coisas: as celebrações!

A partir de certa altura na nossa evolução como espécie sapiens, achámos por bem começar a celebrar os aniversários e mais este e aquele feriado. A princípio, tudo se resumia a uns grunhidos pela manhã e umas palmadas nas costas ao amigo peludo mais próximo. Mas o cérebro desenvolveu-se, o polegar ficou mais oponente e passámos a fazer a depilação mais regularmente. Com isso, surgiu então um qualquer paspalho e oportunista que se lembrou de inventar essa magnífica dor de cabeça e rombo na carteira, que são os presentes.

Claro que, numa época como há milhares e milhares de anos atrás, não havia centros comerciais, nem Zara, nem Nike Store, nem Habitat e muito menos lojas dos trezentos. Portanto, o que é que as pessoas ofereciam? Pedras. Peles. Ossos? numa palavra: bibelots!

É portanto lógico que, ao longo de muitos e muitos anos, esses bibelots se foram acumulando, a tal ponto de as malas feitas de bexigas de dinossáurio que os nossos antepassados cuidavam no recanto das suas cavernas não os conseguirem guardar mais.

Foi então que alguém terá tido a refulgente ideia de aproveitar todo esse arsenal de infortúnio, desperdício, mau cheiro e em completo estado de fossilização e lhe deu uma arrumação lógica e coerente - - - numa frase: criou-se a Decoração de Interiores.

Hoje em dia, continuamos homens da cavernas. Uns com melhor gosto que outros. Mas no fim continuamos a oferecer, maioritariamente, os mesmos ossos e pedras e peles como o mais desperdiçável bibelot, só que fazemo-lo comprando nas melhores lojas.

Solução?
Os vales/cartões oferta.
Mas esses, ah... pudessem esses resolver todos os problemas!
Amanhã falamos nisso.

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comic-strip&tease #10

-Pacheco Pereira está indignado.
-Então porquê?
-Diz ele no seu blogue, o Abrupto, que recebeu várias cartas de tradicionais votantes do PSD que afirmam estar fartos do seu dirigente e que vão abster-se ou votar em branco.
-Tss... Tss... de facto, a tradição já não é o que era.

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TIM BURTON

então é assim:
estão a ver o "Nightmare Before Christmas", certo?
pois...
estão a ver também o Johnny Depp, certo?
estão a ver o tipo de imaginação, personagens e musicalidade, certo?
pois...
...agora ponham esses dedos a mexer, vão ao google, procurem pelo trailer de "Corpse Bride" e vejam tudo o que o Tim já fez com Mr. Jack Skellington e agora regressa, muito, mas mesmo muito melhor!

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comic-strip&tease #9

-Freitas do Amaral diz-se perseguido e vítima de agressão política pelo actual Governo.
-É o descalabro. Só nos faltava mais essa. Para além do aumento do défice agora também temos sinais claros do aumento da criminalidade em Portugal.
-Onde é que isto irá parar...

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comic-strip&tease #8

-Como se não bastassem as dúvidas relativas à economia, agora os partidos resolveram pôr-se a debater sobre quem irá permitir os casamentos entre homossexuais.
-E isso é só a ponta do icebergue.
-Ora bem.
-O pior nem são os casamentos entre homossexuais... o pior mesmo são os casos amorosos não assumidos entre partidos.

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Líquidos

Vivemos obcecados por líquidos.
Deve ser por causa do buraco na cama de ozono que anda a derreter os pólos. Isso ou porque andamos terrivelmente desidratados.

Faço notar este assunto porque desde há uns anos a esta parte que vejo o mundo mudar à minha volta.

Hoje em dia tudo é líquido.

Quando eu era miúdo, lá em casa os sabonetes não eram líquidos, mas sólidos; e não havia sequer gel de banho; o pouco que havia com textura gelificante era o gel para cabelo ou então viscosidades de consequências cancerígenas usadas principalmente na mecânica de camiões e atrelados.

Os detergentes também não eram líquidos. Quer fosse para lavar a roupa branca, preta, de cores ou a louça de cristal ou louça do dia a dia, todos os detergentes vinham em caixas grandes e catitas, com letras coloridas, e sempre, sempre, em pó.

Outra área onde tudo, até há bem pouco tempo, estava a salvo da vaga de liquidificação, é a doçaria, mais especificamente o sector do chocolate. Quando queríamos evitar beber o leite ao natural recorríamos ao chocolate em pó; mas agora não, porque agora os putos têm aquelas embalagens do tipo?top down?, com chocolate docinho em formato líquido.

Hoje é assim.
É tudo líquido.
Veja-se o dinheiro!

Há apenas alguns séculos atrás, Robin Hood entretinha-se a assaltar os pesados cofres dos ricos lordes, carregados com rijas, palpáveis e sólidas moedas de ouro. Mas hoje isso de nada vale. Hoje o dinheiro escorre pela cabelagem dos Bancos, vê-se apenas nos extractos e manifesta-se nos bens que os ricalhaços compram. Mas há pior. E o pior é quando um tipo anda a exibir o seu Mercedes e o seu Bentley, um relógio de ouro de 24 quilates, tem uma mansão no Algarve e um brutal apartamento em Belém, e quando alguém se decide a roubar-lhe todo o dinheiro que ele tem depara-se com um incrível problema de liquidez.

Não se faz.
Lá os detergentes líquidos uma pessoa até pode tolerar, mas isto é que não!
Já chega!
A continuar assim onde é que vamos parar? À Atlântida?!?

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comic-strip&tease #7

-Li na imprensa que os partidos querem a revisão do PEC, que o calçado deve muito à MOCAP, as OGMA tiveram lucros de 7 milhões, o MP recorreu da sentença do TC, a ONP vai ser integrada da Casa da Música, o presidente da NHK demitiu-se e a AFP é alvo de moção de desconfiança.
-Ena. Depois dos cortes na despesa e nos salários, passámos ao corte nas palavras. Estamos mesmo metidos numa grande CD?
-Contenção de Despesas?
-Confusão Danada.

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comic-strip&tease #6

-Santana continua a atacar Sócrates e Sampaio com toda a força.
-Sócrates já exige maioria absoluta.
-Francisco Louçã e Paulo Portas trocam ásperas críticas um ao outro.
-Jerónimo de Sousa vai contra o PS, reprova Paulo Portas e ainda desmoraliza o actual governo demissionário.
-É... e ainda há quem tenha a coragem de falar em vaga de frio.

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a contar... (mais e mais!)

100!
Pois é, amigos. Com ouvidos a latejar e tudo. Cá estamos! No pico da fama!
100 espirros!
Uau!
...
'Bora lá contar mais?

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a contar...

e vão 70!
iupi!

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a contar...

e vão 54.
and still counting...

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a contar...

78!
Após uma subida vertiginosa deles, eis que a estabilização da temperatura e uma lufada de ar fresco e 'limpo' me devovlem alguns minutos de paz e apenas pingos no nariz. Mas ainda assim, não acredito que a coisa fique por aqui...

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a contar...

já lá vão 47.
espirros, quero eu dizer.

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vozes...

...o problema quando só se ouvem as vozes é que nunca se vêem os rostos, quanto mais os corações.

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Soluções Práticas

O que eu mais gosto na vida são as soluções práticas.

-Como é que nos vamos proteger da chuva?
BANG! E surge um chapéu por onde não passa uma gota de chuva!

-E como é que vamos impedir de nos molharmos?
BANG! E lá surge um casaco impermeável de nome gabardina!

O que eu não percebo, mesmo, seguindo este tipo de raciocínio lógico e prático, é então de onde surgiu a gravata!
Para tapar os botões das camisas!?
Mas porquê?!... Para quê?
Para quê tapar os botões das camisas???
Tenho reflectido muito neste assunto.
De facto, devo dizer que tenho reflectido toda a minha curta existência neste assunto. E só vejo uma hipótese do nascimento da gravata estar associado à necessidade estética de tapar os botões das camisas: de certeza que antigamente os botões das camisas deviam ser todos enormes e feios com?ó caraças!

Não há outra explicação para o fenómeno.
E é assim, por isso, que hoje para além de darmos ?35 por uma camisa depois damos mais ?40 pela gravata.

Porreiro...
Obrigadinho, botoeiros da treta do século XIX!

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O meu curso superior

Tenho de parar com isto.
Sempre que alguém me pergunta que curso tirei, caio logo no erro de dizer as palavras "Licenciatura em Publicidade". Nisto segue-se um sorriso tímido, o reactivo e subsequente agarrar das duas mãos no terço e o súbito afastar do corpo, delicado mas igualmente rápido e eficiente, resultando no desaparecimento da pessoa por completo e na minha total e completa solidão.

A partir de agora vou passar a dizer que tirei o curso de.. ... ... .. . ... Comunicação de Massas!

Nem sei se tal curso existe no nosso país, mas é pelo menos um nome pomposo e simpático, e a palavra massas tem sempre esse lado ligado à gastronomia, o que num país de boas bocas é bom.

Claro que também podem associar Comunicação de Massas a um desses políticos que só fala e promete e pouco faz na vida, mas paciência. Aos políticos em campanha sempre dão muitos abraços e beijinhos, o que nestes meses frios nem é mau de todo.

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Quem é amigo?

http://www.warnerbrosrecords.com/damienrice/

Ele mesmo; o link para verem o videoclip do "blower's daughter" do Damien Rice e reverem algumas das melhores imagens do filme "Closer".

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comic-strip&tease #5


-O PSD afirma que o seu programa eleitoral não são promessas.
-Então?
-É um contrato celebrado com todos os portugueses.
-Bem...
-...
-...só nos resta esperar que seja um contrato de 6 meses ou em part-time. Nem quero pensar assinar por tempo indeterminado!


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Xingom

Praticamente tudo nesta vida é psicológico.
Como disse uma vez um escritor (que curiosamente tem um nome completo igualzinho ao meu): "o mundo é todo a nossa cabeça".
E de facto é.

Desde que num gélido mês de Dezembro vi um jovem a tomar a bica, às 9 e meia da manhã, vestido de bermudas e t-shirt, nunca mais duvidei dessa frase.

Isto pode parecer aberrante, mas asseguro-vos: não me estou a desviar um milésimo da realidade observada. E não, não estava sob o efeito de anti-estamínicos em dose reforçada.

Mas o que me intrigou verdadeiramente em tal aberração humana foram, sinceramente, os 3 relógios Swatch que ele trazia, divididos pelos dois pulsos...

Ainda hoje, tenho quase a certeza de que ele era um analista enviado pelo planeta Xingom, e que era por aqueles transmissores alienígenas disfarçados de relógios Swatch que ele enviava todos os dados sobre a nossa espécie lá para os escritórios dele, a milhões de anos luz daqui.

O que deve ter acontecido é que a secretária do gajo terá ficado sem net ou, melhor ainda, terá pensado que ele ia para o hemisfério sul do nosso planeta, e por isso enviou aquela roupinha. Agora imaginem a cara com que ele não terá ficado quando aterrou a nave ali para os lados do Cais do Sodré!

É que há coisas que não se fazem mesmo...

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comic-strip&tease #4


-Pelos vistos, os novos estádios de futebol, construídos para o Euro 2004, não estão a chamar mais gente ao futebol.
-Que é que se poderá fazer mais?!
-Ora, é fácil.
-Baixar o preço dos bilhetes?
-Nada disso.
-Aumentar a segurança nos estádios?
-Não.
-Praticar melhor futebol, com qualidade, espectáculo e sem cenas lamentáveis?
-Também não.
-Então!?
-Criar uma promoção no Jumbo e no Continente, onde por cada 20 quilos de batata frita congelada ou 100 euros em compras se recebe um bilhete de borla. Vais ver. É num instante que enchem os estádios.

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comic-strip&tease #3


-Estamos a entrar na recta final e só se fala em nomeações de última hora...
-É verdade! Que confusão!
-É o tempo todo com declarações dos dois a falar só de nomeações e reforços em lugares chave.
-Uma vergonha.
-E ainda por cima com salários absurdos!
-E tanto o Benfica como o Sporting ainda devem milhões ao Fisco!
-Eu estava a falar do Santana Lopes e do Sócrates...
-Ah...

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Presentes & Crianças

Qual é a piada de recebermos presentes no nosso aniversário e no Natal? Já estamos à espera deles! No fundo, isso funciona mais como uma pressão (até mais como incentivo a ataque de ansiedade crónica) do que propriamente ocasião de alegria, rejubilo e felicidade.

Um mês antes inicia-se o stress.

Começamos a receber piscadelas de olho. Ali estão eles, os amigos e familiares, a tilintarem os olhos de cada vez que nós passamos em frente desta ou daquela montra. Depois iniciam-se as conversas suspeitas com perguntas ainda mais estranhas (a meio das quais tossem veementemente e nos voltam as costas, para escreverem qualquer coisa num caderninho). Por fim, há os que vivem sempre em maior ansiedade do que nós, atacados pela falta de ar e falta de imaginação, e que prestes a dar entrada no Hospital por ataque de pânico preferem então desabafar:
-Meu, a sério, diz-me por favor: o que é que tu queres para o Natal!

E tudo isto começa bem cedo.

Veja-se as crianças, em Dezembro.
Toda a gente lhes pergunta o que querem receber. Obrigam-nas a escrever longas cartas ao Pai Natal (que nós sabemos que existe mas que não percebe puto de Português e portanto nunca vai ler aquelas cartas), fazem-lhes interrogatórios dissimulados e minuciosos e, no meio disto, elas lá vão desejando e desejando, pedindo uma e outra coisa.

O mais irónico no meio disto tudo é que, grande parte das vezes, depois de tanto esforço e preocupação, uma grande parte de nós acaba mesmo por receber aquele conjunto de secretária de que não precisa.

Tanto stress!
Tanta preocupação!
Tanto vexame!
E para quê?
Se já nos queriam oferecer de antemão aquele conjunto de secretária, para que é que nos andaram a cacetear durante um mês!?

É por isso que eu gostava que as crianças tivessem direito a advogado. Eu não preciso. Já não vou a tempo. Fiz dezanove ainda o mês passado. Não, dezoito. E para mais, os traumas estão por demais velhos e enraizados. Mas as crianças! Bem, as crianças de hoje merecem isso.

Até porque uma outra coisa que não percebo no Natal é mesmo essa parte das cartas que as crianças escrevem. E não é só devido ao já explicado acima. É que me parece tudo algo suspeito... De que valem as cartas às crianças!? Ali descrevem elas o que desejam receber, minuciosamente, e ainda as obrigam a assinar no fim. Com o nome completo! E depois, chegando ao dia 25, ao verem que não receberam nada do que tinham pedido, como é? Onde estão as cartas?

Acho que seria bem mais honesto deixar os originais das cartas com as crianças, e enviar apenas um duplicado/cópia. Assim, no dia 26, caso as crianças se sentissem defraudadas nos seus desejos, poderiam sempre invocar as instâncias superiores e reclamar com força. E com provas.

É que não se faz... Andam elas metidas em pesquisas nos catálogos todos da Toys R?Us e dos Hipermercados e para quê!? Tanta escolha, tanta cedência, e no fim...

Apelo-vos:
Crianças, uni-vos! Guardem duplicados das vossas cartas e façam valer os vossos direitos!

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comic-strip&tease #2

-Ao que parece, foi possível ver Pinto da Costa na Sic a declamar poesia.
-Não me parece nada demais.
-Trata-se do Presidente do F.C. do Porto!
-A meu ver, isso só prova o que se diz há muito.
-E que é?
-O futebol como verdadeira manifestação cultural no nosso país.

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Semáforos

Em Lisboa, ou mais concretamente, nas ruas de Lisboa, todos os condutores sofrem da síndrome de MacGyver. Vocês sabem (pelo menos os que sempre viram o genérico) - é aquela cena em que ele consegue passar por um portão de ferro quando este está quase a fechar.

Em Lisboa é igual.
Todos os condutores gostam de se ver como MacGyvers.

Todos os dias, a toda a hora, assim que o semáforo passa do verde ao amarelo, é vê-los acelerar e esgueirarem-se a 120 e a roçar o sinal vermelho! Não sei o que eles andaram a estudar enquanto tiraram a carta, mas será que alguém se esqueceu de lhes ensinar o significado do amarelo!?!

A minha teoria é esta: alguém realmente se esqueceu. E na dúvida, o ser humano reage instintivamente. Ou seja, reage de acordo com as suas origens mais primárias. O mesmo é dizer que reage como um verdadeiro zombie! E digo mesmo um desses zombies autómatos, mecânicos, com olheiras no rosto como se não dormisse há décadas.

Tudo se passa, então, da seguinte sintética forma:

Ali estamos nós, a conduzir... Ao longe, ao fundo, um semáforo com uma luz verde tranquilizadora e simpática relaxa-nos. Deixamos o acelerador na posição socialmente correcta. Deixamo-nos ir. Mas... Eis... Que... De súbito, ao longe, essa luz refrescante desaparece! E em lugar dela surge então uma luz quente e luminosa, amarela, âmbar! É neste ponto que todos nos tornamos zombies. E é assim como zombies que logo desatamos a ir atrás dessa luz! Não vemos mais nada. Só essa luz! Cegamos! Uma descarga nervosa atravessa-nos todas as fibras do corpo e uma voz interior grita-nos "Acelera!", "Acelera, pá!". E nós aceleramos! Carregamos no pedal a fundo e só vemos essa fímbria nesga de espaço temporal que nos acalenta a esperança de nos conseguirmos esgueirar e, voilá!, passar incólumes e vitoriosos!

Só pode.

E é então perante este cenário que melhor podemos perceber o sinal vermelho. Porque o sinal vermelho será o estalar dos dedos do hipnotizador. Ali estamos nós, zombies loucos e dementes, a acelerar que nem loucos, e eis que nos surge essa luz vermelha, forte e quente, perante a qual acordamos do nosso sonho e reagimos, travando imediata e instintivamente.
O carro estaca.
Os discos chiam.
Os pneus derrapam.
O ABS é chamado a intervir.
O corpo é sacudido e tudo isto se assemelha a uma experiência entre o traumática e o surrealmente alucinante.

Regressamos à realidade, e em dois segundos a nossa consciência e pensamento lógico voltam a funcionar. É aqui, portanto, que todos pensamos:

-Ei! Para onde é que foi aquela luz maravilhosa?! Estava aqui mesmo agora! Era tão deslumbrante... E eu? Como é que eu vim aqui parar?!... Bem, não sei o que é que se passou, mas o melhor é eu ficar aqui paradinho e quietinho, e fazer de conta que não se passou nada.

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comic-strip&tease #1

-Paulo Portas anda chateado com o parecer da Sedes...
-Então porquê?
-Segundo ele, o documento "acentua a depressão" do país.
-Não se faz!
-Sobretudo quando um terço do território é claramente montanhoso...
-Esta malta! Sempre a defender o litoral!

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Humor Negro

O mais engraçado na vida é que o engraçado somos mesmo nós.

Diz-se por aí, quem sabe destas coisas do humor e labora nisto todos os dias, que o principal recurso são as desgraças dos outros. E percebe-se. Nesta nossa curta passagem por esta Terra, somos gozados à força toda, do princípio ao fim, e mesmo assim adoramos cá andar. Rimo-nos do mal dos outros, mas no fundo rimo-nos de um mal que está sempre a acontecer connosco também. Passamos então meia vida a rir de nós mesmos e segundo os mais velhos e experientes até esboçamos um sorriso na hora de dizer adeus a tudo isto a que chamamos vida.

Somos, sem sombra de dúvida, os seres com maior sentido de humor à face deste planeta.
E creio, verdadeiramente, que é por isso, e por isso apenas, que nos chamam espécie superior.
Tudo o resto são balelas.

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SiTeMeTeR

Pronto, pronto... está bem!
Já criei um counter para o bla-bla!
A partir de agora poderão confirmar que somos os mesmos seis a vir aqui todos os dias. E a propósito, Demoníades, vê se falas com o Corri-Corrilhas para ele me pagar o guito, que o Aldrabo Yovilnicyz tá farto de me chatear a mona!

Até breve malta.

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Nesquick

O que é que aconteceria se misturássemos umas colheres de Nesquick na água de regar as plantas!?

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Big Books

Sempre que alguém me fala que leu um desses livros de 600 páginas, e mais, diz sempre que adorou.
Pudera!
São 600 páginas ou mais, caramba!
É uma vitória. Uma vitória pessoal. Uma grande conquista.
Significa que o desgraçado leitor andou cerca de um mês, a dois meses, a carregar com meio quilo de papel para todo o lado. Como é que não haviam de dizer que adoraram!? Somos todos masoquistas ou não somos? Claro que somos!
E a coisa está a alastrar-se.

Até os mais novos já estão viciados nisto. Dão-lhes Hiper-Disneys para as mãos e o resultado está à vista.

Não sei, mas creio que este fenómeno de paixão assombrada pelos livros grandes, que muita gente tem, deve ser coincidente com os puzzles. Devem ser as mesmas e exactas pessoas.

Quem ama livros grandes deve ser exactamente, inequivocamente, a mesmíssima pessoa que em frente de uma prateleira da Toy?s R? Us logo exclama:
-Ena!... Um puzzle de 3000 peças! Que cena! Vou levar para aí 3 meses a montar isto! Uau! Fixe! Vou comprá-lo já!

Se insistirmos neste ponto, até pode ser que sejam estas as mesmas pessoas a gostar tanto de sexo tântrico...

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Pancada da grossa

Toda a gente já foi criança. Toda a gente conhece e lembra termos como calduço, caldinho, croque, cepa ou os mais triviais soco, estalada, chapada, canelada... enfim, um mundo de terminologias e diversas aplicações!

Mas este mundo é sempre inovador, e não falta quem se detenha a investigar novas formas de o expandir. Pelos vistos, há agora um novo termo e nova forma de infligir a maior dor a qualquer um que desejemos.

Chama-se Berlaito!

O Berlaito é muito fácil de aplicar. Trata-se de uma forte lambada na testa, mas não aplicada frontalmente. O Berlaito distingue-se porque é infligido na parte lateral da testa. É, portanto, de difícil aplicação, e só apenas usado por ?experts? de renome local, pois implica imobilizar a vítima ou prever com exactidão os seus movimentos. Caso contrário, lá se vai o berlaito...

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Provérbios...

"Como sardinhas em lata"

Peço desculpa, mas alguém me pode explicar melhor o sentido desta frase?
Ou melhor: alguém me pode explicar porque a usam sempre que as pessoas estão apertadas num autocarro?

A sério.
Não estou a brincar.
É que não percebo mesmo porque é que a usam.

Da última vez que consultei a Enciclopédia lá de casa não me lembro de ter visto em lado nenhum que as sardinhas se metiam em latas para irem trabalhar...
Se o caso é verídico, então porque não falam também nas lulas!?, ou nas anchovas!?

Desculpem-me a insistência, mas aquelas latas são tudo menos transporte público para pescado. Por isso, não percebo a associação...

Acabem lá com isso, faxavor.
Inventem outra!
(E ai do primeiro que me acusar de vir para aqui cagar postas de pescada!)

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Álvaro Siza Vieira

Para os que desconheciam a sensação que é um "baque", tiveram ontem a grande oportunidade das suas vidas, no documentário exibido pelo Biography Channel sobre o arquitecto Álvaro Siza Vieira.

Ali estva ele, um documentário porreiro, simples, directo, a abranger conversas com amigos, familiares, com o próprio, a seguir as pisadas do homem, a trágica morte da sua mulher...

E eis quando o documentário se aproxima do fim. Siza reflecte sobre a morte, expira, fuma, esfuma-se... Chegámos mesmo ao fim. Digo para mim próprio que é excelente o Biography Channel passar um documentário em português na sua semana de estreia e a uma hora decente. Boa aposta. Sim senhor... Mas eis que chega o baque. E chega com o lençol da ficha técnica. Eis que, então, me dou conta de se tratar o dito documentário de uma produção e realização espanholíssima.

Uau, que fixe...

...corrijam-me se estiver errado, mas acho que algo de muito mau se passa connosco, portugueses e cultura portuguesa, quando até a ideia, iniciativa e investimento para se fazer um documentário sobre Siza tem de partir dos espanhóis...

O que virá a seguir?
Deixarmos as vinhas apodrecer para que cá venham os espanhóis esmagar os bagos e vender as garrafas para a América!?

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Horas de ponta


Nas horas de ponta vejo imensas pessoas, todos os dias, em enorme correria pelos corredores do Metro. Ouvem uma carruagem que lá vem... O eco anuncia-a cada vez mais perto... Tiram o passe... É preciso passar pelos torniquetes... O aviso sonoro dá conta da chegada da carruagem... Oh, não!, já entrou na galeria e já está a travar! Meu Deus! Ouvem-se os discos a chiar nos trilhos! As pernas aceleram! A passos rápidos descem as escadas dois a dois! Quem sabe!... Quem sabe... Talvez ainda consiga!... Mas eis que surge o apito das portas!... Pode ser que alguém fique entalado e tenham de reabrir as portas!
Ah!!!
Oh, não...
Foi-se.
Não tenho sorte nenhuma!
E ainda por cima agora tenho de esperar mais 3 minutos!
3 minutos!!!

Psst!
Pessoal, o que é que se passa?
São 3 minutos!!!!!
O que há de tão mau em perder 3 minutos?
O que é que vos vai acontecer no emprego?
-Desculpe lá o atraso, chefe...
-Jorge, isto assim não pode ser!
-Eu sei, chefe...
-Este mês, já é a quarta ou quinta vez que me chega 3 minutos depois da hora!
-Eu sei, chefe...
-Mais uma destas e...
-Eu sei, chefe. Peço desculpa. 3 minutos é imperdoável. Inadmissível mesmo! A culpa é minha. Toda minha, chefe! Eu não sou boa pessoa! Mas tente perceber, chefe: a minha irmã mais velha batia-me quando eu era miúdo!

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Tipos de tipos, que por sua vez...

Há um tipo que por sua vez é amigo de outro tipo e que por sua vez vive perto do primeiro tipo, e este, por sua vez, como é lógico, também vive perto desse tipo.
Até aqui nada de mais.

Ora ambos os tipos conheceram uma tipa, que por sua vez conhece outros tipos. Mas esses tipos para aqui não interessam para nada. O que interessa nesta história é que os dois tipos, mais a tipa, e por sua vez a amiga desta tipa, saíram um dia para entrar naquela onda de... enfim, cenas maradas, do tipo... percebem? A coisa não correu bem. Tipo... Nada bem mesmo. E por sua vez os quatro foram descobertos. É que estão a ver, quando se está, tipo, naquela cena, por sua vez corre-se o risco de entrar numa onda do tipo... Já perceberam, certo!?

É que é do tipo: vai-se a fazer o que se quer, e isso por sua vez origina o que não se quer. É do tipo de coisa que já sucedeu a muita gente. Tipo cena de filme. Ou pior. Mas é das tais coisas. Tipo, se não se fizer, por sua vez também nunca se vai saber, não é?

E perante isto, numa próxima, que é que um tipo há-de fazer!?
Alguém me ajuda neste tipo de cenas?

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Ratos de computador

Porque é que os ratos de computador têm aquela forma convencional?

Resposta:
Porque quando inventaram o computador, naquele dia memorável de 31 de Novembro de 1974, um dia frio, bonito e com muitas folhas amarelecidas pelos passeios de Kuala Lumpur, notaram que era necessário um rato, e como tal utilizaram o que estava mais à mão, que foi metade de uma manga; isto porque no frigorífico já só havia umas garrafas de coca-cola e um resto de rolo de carne.

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Como são feitos os lenços de seda


Já muita gente, na sua tenra idade, fez esta pergunta. E é comum, muitas das vezes, virem pessoas dizer que os lenços de seda se fazem a partir da seda.
Balelas!

Tal não é, de todo, verdade. Tal como não é verdade que a seda vem do bicho-da-seda. Isso é apenas uma coincidência. Coincidência que é usada para esconder às mentes mais simplistas um processo na realidade complexo e atroz.

De facto, os lenços da seda vêm dos ténis Reebok Pump.
Acreditem. Parece incrível, mas também muitos de vocês não acreditavam que os iogurtes vinham dos zéfalos, e no entanto...

Assim que os ténis Reebok Pump saíram do mercado e foram depositados no lixo por milhões de putos pelo mundo fora, uma legião de funcionários das empresas de tecelagem indianas foram a correr buscá-los a toda a parte. É que o químico usado para encher os ténis, quando misturado nas doses certas com o algodão, torna-o muito mais fino e delicado. E daí se pode então fazer a seda. Um material nobre e caríssimo.

Claro que vocês podem perguntar:
-Então se é assim, como é que antes de haver os Reebok Pump já havia lenços e camisas de seda?

Óbvio, meus caros. Não havia. Era tudo uma pálida amostra aproximada do que a seda realmente é hoje. Até então, a seda como hoje a conhecemos não existia. Se pudessem encontrar um lenço de seda novo, de há 30 anos atrás, veriam como isto é verdade.

E alguns outros de vocês perguntam-me então:
-Ora, e se a solução para fazer a seda estava no químico usado nos Reebok Pump, porque é que não foram à Reebok pedir o nome do químico?

Isso é ainda mais fácil de responder.
De facto, eles foram lá, mas a Reebok negou-se a dar-lhes tal informação, com medo que os tipos fossem da Nike e quisessem copiar o modelo.

Hoje em dia, depois de descoberto o químico, já qualquer fábrica na Índia elabora seda de primeira qualidade sem qualquer problema. Adianto-vos eu, em primeira-mão e arriscando a minha pele, que o tal composto químico usado nos Reebok Pump era, afinal, Açúcar no estado gasoso.
Nem mais.

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A arte de saber romper a regra

A promo-line livresca mais commumente usada e abusada é esta:
"Como usar as novas tecnologias sem que as novas tecnologias o usem a si"
ou:
"Como explorar a economia sem que a economia o explore a si"
ou:
"Como aproveitar o melhor dele sem que ele se aproveite de si"

E por aí adiante.
A vida, hoje, é feita assim, de chavões.
Copiamos frases feitas. Mudamos-lhes vírgulas. Damos um tom pastoral à coisa, outras vezes papal, semi-sábio, e já está. Passamos a ser emissores da frase do século. Nós e mais cem milhares pelo globo fora. E as provas aí estão, com esses livros a venderem tanto que a maioria de nós lhes esquece os nomes, deles e dos seus autores.

Dedico, por isso, o prémio de criatividade e arrojo ao Miguel Esteves Cardoso. Esse sim, com todo o mérito por saber romper com as massas e ter lançado, há alguns anos atrás, um livro de título "O Amor é Fodido".

Bem-hajas, Miguel.

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Má língua

Sanguessugas são brincadeira de criança!
Unhas arrancadas??? Uma piada...

...nada se compara ao sofrimento de ter uma palavra debaixo da língua e não conseguir palavrá-la!

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Tal&Qual

Manchete do Tal&Qual que eu sonho escrever:

"TOM SAWYER APANHADO NA MARMELADA COM ANA DOS CABELOS RUIVOS PARA FAZER CIÚMES AO COELHINHO DA PÁSCOA!!!"



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Porque as mulheres precisam desesperadamente dos homens

As mulheres precisam dos homens por motivos diferentes ao longo da sua vida.

Quando os homens estão reformados, as mulheres não precisam deles da cintura para baixo, mas apenas para terem um ombro amigo, lavar a louça que elas se fartaram de lavar durante os últimos 40 anos e poder chatear com conversas sobre as amigas e a próxima viagem pelo Inatel.

As mulheres mais novas, essas, precisam urgente e desesperadamente dos homens para as compras. E não é para estes carregarem os sacos ou puxarem do seu cartão de crédito.
Nada disso.
Vejamos, então, para quê:


Cientistas altamente consagrados (como eu) pelos métodos mais inovadores, têm notado que uma mulher, quando entra numa loja, comporta-se de forma segmentada. A sua visão, o seu cérebro e as suas reacções musculares comportam-se com base em apenas duas indicações: cor e forma.

Se elas querem uma camisola azul, então a sua visão dentro da loja afunila-se e vêem apenas a zona de roupas azuis. A partir daí, passam a identificar a forma das camisolas. Não vêem mais nada. Tudo o resto que há na loja deixa-as perdidas. Se se afastarem muito dessa zona, entram em colapso e dão por si a sair da loja em três tempos, frustradas por não ter encontrado a camisola azul que tanto procuravam.
É aqui que entram os homens.

Nós, homens, somos essencialmente práticos. Rudes. Cruéis. Implacáveis! Connosco, tudo se resolve num máximo de 7 minutos. Entramos, vemos, experimentamos, pagamos, saímos. Limpinho. 7 minutos. Não falha.

Eis porque, normalmente, as mulheres não gostam que nós as acompanhemos às compras. É que nós cortamos a magia. Todo o ritual de experimenta, desiste e volta a experimentar, connosco não tem qualquer hipótese de sobreviver. A nossa grande qualidade é sermos como o Harvey Keitel no Pulp Fiction: quando a urgência é grande e a situação é crítica, nós somos a única solução.

E isto porquê?
Porque se a nossa mulher precisa de uma camisola azul, essa torna-se a nossa missão de vida, à qual não podemos falhar. E porque é que nunca falhamos? Porque a nossa razão para encontrar uma camisola azul na Zara ou na Mango torna-se uma questão de vida ou morte! Poderíamos nós, homens, alguma vez aguentar 30 minutos dentro da Mango?? Nem pensar! Por isso, é a nossa vida que passa a estar em jogo.

Por outro lado, normalmente somos sempre bem sucedidos porque as nossas regras são muito mais selváticas. Para nós, homens, vale tudo. Vejamos como:

Na nossa busca desenfreada e contra a morte, acabamos por encontrar a camisola azul de tamanho ?S? que toda a gente dizia já não haver. Encontramo-la entre 12 pares de saias pretas e 8 casacões roxos; um truque de alguém, que ali resolveu esconder o seu bem mais precioso enquanto ia a outra loja tirar as dúvidas. E mais: para além da camisola azul, ainda vemos o cinto que é a prenda ideal para dar à F. e uma t-shirt que é mesmo do que a S. precisa. Aqui está, finalmente, a teoria que explica porque os homens são indispensáveis às mulheres em matéria de compras.

PS: a outra teoria que explica o nosso sucesso é a de que as mulheres nos levam com elas às compras sempre em dia de jogo, isto para que o nosso desespero em chegar a tempo do início do jogo seja tão grande que as deixamos comprar tudo e ainda lhes levamos os sacos todos...

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Money Works?

Passamos a nossa vida inteira a tentar enriquecer depressa, mas nunca pensamos como temos vindo a empobrecer devagar.

Com 16 anos, os nossos pais dão-nos uma mesada mixuruca, com a qual saímos à noite, bebemos copos à farta cravados a todos os que conhecemos, temos miúdas, sexo, borga e uma vida livre de responsabilidades acrescidas e repleta de 'joïe de vivre' e de sonho.

Com o tempo, chegamos a directores de uma multinacional, ganhamos milhares de euros e, no fim do mês, pouco nos resta, porque gastámos imenso em jantares, passámos vários cheques em lojas, supermercados, escolas dos putos, descontámos metade para impostos e enterrámos tudo o resto em empréstimos e na bolsa. Passámos as noites todas enfiados no escritório, e nem um único filme fomos ver ao cinema no ano inteiro. Conduzimos um carro de luxo que a empresa nos empresta, e dizemos que somos ricos, até porque temos três passes para os três melhores country-clubs do país, onde vamos, no máximo, uma vez de 4 em 4 meses...

Não sei porquê, mas acho que ser jovem e "pobre" é que é mesmo fixe.

No fundo, com 50 anos tentamos voltar a fazer tudo o que fazíamos antes com muito pouco dinheiro, mas agora gastando tudo o que ganhamos.

Estranho...

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