xixi...

Não vou mais fazer xixi.
Renuncio a essa faculdade animalesca e grotescamente primária.
Para que é que quero isso!? Para que hei-de ir três ou quatro vezes por dia ao WC? Lavar as mãos três ou quatro vezes... Gastar três vezes litros de água e três vezes litros de detergente e três vezes três folhas de papel para limpar as mãos!?...

Não.
Esqueçam.
Não há nada de bom no facto de podermos fazer xixi.
Muito pelo contrário!
E agora que não faço mais xixi, vou também renunciar às minhas capacidades fecais. Porque isso sim, será revolucionário. Irei tirar a sanita da casa-de-banho e colocar aí um bom sofá!
Para que havemos de estar a ler o jornal com o rabo sentado numa louça fria, se o podemos fazer no conforto de uma boa poltrona!?

Perguntam os demais:
Mas para quê renunciar a tudo isto se posso ter uma poltrona na sala?
Ora, meus caros, ora... Por razões mais do que óbvias!

-Na sala entra toda a gente, quando quer e bem lhe apetece; no WC não; o WC é o nosso refúgio, o nosso cantinho eremita.

-Na sala não temos água mesmo ali à mão; no WC basta esticar o braço e abrir a torneira.

-Mais: no WC podemos pôr-nos em frente do espelho e admirarmo-nos enquanto fazemos figuras ridículas à vontade (sim, porque ninguém alguma vez irá arriscar fazê-lo na sala).

- Mas sobretudo: a grande vantagem de uma poltrona no WC é porque ninguém se senta na poltrona da sala a ler o jornal completamente despido da cintura para baixo.

POSTED BY Ricardo Tomé
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