Sugestões Enólogas do Aprendiz: PingoDoce DÃO Reserva 2004 (Tinto)

Este post sobre vinhos entrará, talvez, para a história do mundo dos vinhos, do mundo dos blogues e sobretudo do mundo da fotografia, pelo simples facto de ser a primeira vez que uma garrafa de vinho introduz no cenário uma espreguiçadeira de bebé e uma cama de viagem de bebé. Genial, no mínimo. Revolucionário, dirão outros. Um ultraje, dirá a chusma mais conservadora. A comunidade artística, certamente, ditará o veredicto final (talvez até com um prémio monetário chorudo à mistura).



Pois tendo comprado este mix de três castas geradas e colhidas em terras do Dão, há coisa de um ano atrás, resolvi abrir a garrafa numa destas noites para acompanhar uma carne estufada. Resulta, contudo, que a experiência não foi grande coisa...



Ao olfacto, os aromas que se captam são confusos e até pouco cativantes, diria mesmo agrestes, e que logo nos deixam com muito receio do que aí vem. Na boca, contudo, e apesar de não ser nada de excepcional, há um travo excêntrico e complexo que torna o vinho óptimo para se saborear algum tempo na boca. Mas (lá vem de novo) o álcool intromete-se sobremaneira, ao ponto de nunca conseguirmos apurar com deleite a composição do vinho. Se não for aberto com tempo e deixado a "respirar", então ainda pior. E se o experimentarem no dia seguinte, isso então nem se fala; a adstringência será tal que sentirão um rombo ácido a atacar-vos as paredes do estômago.

Encontram-no no PingoDoce a cerca de €3,5, mas a este preço começam a ser cada vez menos os vinhos interessantes. Até agora, o Terras D'Uva (Alentejo) foi a melhor surpresa no último ano. E não sou o único a dizê-lo. Prova-se portanto que para o Dão e Douro os vinhos interessantes começam, regra geral, quase todos eles a partir dos €4 para cima, muito embora se sairmos dos hipermercados e dermos um pulo às garrafeiras de Coimbra para cima possamos encontrar muito melhores vinhos e até abaixo dos €4, mas que por razões de dimensão das Quintas e Casas que lhes dão nome e mesmo ao volume da produção, raramente conseguem chegar à zona de Lisboa e Vale do Tejo.

POSTED BY Ricardo Tomé
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